O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a inteligência artificial (IA) pode tornar-se um importante motor de crescimento económico na África Subsaariana, desde que os países invistam em infraestruturas, competências digitais e regulamentação. Num novo relatório, a instituição alerta que, sem estas condições, a região corre o risco de aumentar o fosso de produtividade face às economias mais desenvolvidas.
Segundo o FMI, mantendo-se o atual ritmo de preparação, a IA deverá acrescentar apenas 0,2% ao Produto Interno Bruto (PIB) da região na próxima década. Contudo, se os países reforçarem o acesso à eletricidade, à internet, à formação digital e criarem um ambiente favorável à adoção da tecnologia, o impacto poderá atingir cerca de 4% do PIB, o equivalente a quase meio ponto percentual adicional de crescimento económico por ano.
O relatório destaca que o maior potencial da inteligência artificial em África não está na substituição de trabalhadores, mas no aumento da produtividade em setores fundamentais como a agricultura, a educação, a saúde e as pequenas empresas. Entre os exemplos apresentados estão ferramentas que ajudam agricultores a melhorar as colheitas, plataformas de aprendizagem apoiadas por inteligência artificial e sistemas de análise de dados utilizados para reforçar a cobrança de impostos e a eficiência dos serviços públicos.
O FMI sublinha ainda que a África Subsaariana concentrará cerca de metade dos novos trabalhadores que entrarão no mercado laboral mundial até 2030, tornando essencial a criação de empregos mais produtivos e qualificados. Para alcançar esse objetivo, recomenda investimentos em infraestruturas digitais, literacia em IA, proteção de dados, cibersegurança e cooperação regional, de forma a garantir que os benefícios da tecnologia sejam distribuídos de forma ampla e contribuam para um desenvolvimento económico sustentável.
