Na Cimeira sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Deli a 18 de fevereiro de 2026, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que o futuro da Inteligência Artificial (IA) não pode ser decidido por alguns países ou por um punhado de bilionários da tecnologia. Propôs um Fundo Global de 3 mil milhões de dólares para ajudar os países em desenvolvimento a aceder às tecnologias de IA, reforçar competências, criar capacidade de dados e promover ecossistemas inclusivos.
Guterres alertou que, sem investimento, muitos países correm o risco de ficar “desligados” da era da IA. Destacou iniciativas da ONU, incluindo o Painel Científico Internacional Independente sobre IA, composto por 40 especialistas, que analisará riscos, oportunidades e impactos sociais da IA, garantindo que a tecnologia beneficie todos.
O Secretário-Geral defendeu também a criação de mecanismos de proteção para salvaguardar a agência e a responsabilidade humanas, sublinhando que a IA deve promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, melhorar os serviços públicos, acelerar avanços na medicina e educação, e reforçar a resiliência climática e perante catástrofes.
Guterres alertou ainda para os riscos da IA não regulamentada, nomeadamente o aumento das desigualdades, a amplificação de preconceitos e os impactos negativos nas comunidades vulneráveis, tendo em conta a crescente necessidade de energia e água dos centros de dados. Sublinhou a importância de investir nos trabalhadores, de modo a que a IA potencie o potencial humano e não o substitua.
Para concluir, apelou a governos, indústria e sociedade civil para colaborarem na governação da IA, afirmando: “O verdadeiro impacto significa tecnologia que melhora vidas e protege o planeta. Vamos construir IA para todos – com a dignidade como configuração padrão.”
