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IA prevê risco de mais de mil doenças com uma década de antecedência

Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial (IA) capaz de prever o risco de uma pessoa vir a desenvolver mais de 1.000 doenças, com até dez anos de antecedência. Os resultados do estudo foram publicados esta quarta-feira na revista Nature.

O modelo, treinado com dados clínicos de 400 mil britânicos e testado em 1,9 milhões de cidadãos dinamarqueses, analisa padrões de saúde ao longo do tempo, cruzando históricos médicos, diagnósticos prévios e fatores como tabagismo. A partir dessa informação, consegue calcular a probabilidade de surgirem doenças como cancro, diabetes, ataques cardíacos ou septicemia.

Os cientistas sublinham, no entanto, que as previsões indicam probabilidade acrescida e não um diagnóstico definitivo — comparando o modelo a uma previsão meteorológica.
A precisão é maior em doenças com progressão previsível, como o cancro ou a diabetes, e mais limitada em áreas complexas como saúde mental, doenças infeciosas ou gravidez.

Apesar do avanço, os investigadores admitem que a ferramenta ainda não está pronta para uso clínico imediato. Para já, o modelo serve sobretudo para estudos científicos sobre a evolução das doenças e a influência do estilo de vida nos riscos de saúde.

Alguns especialistas independentes alertam, contudo, que os dados utilizados refletem populações específicas do Reino Unido e da Dinamarca, o que pode limitar a fiabilidade noutras regiões e grupos étnicos.

No futuro, a tecnologia poderá ajudar médicos a identificar precocemente doentes de alto risco, permitindo intervenções preventivas mais adaptadas.

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