A utilização de modelos de inteligência artificial de código aberto para produzir imagens de abuso sexual infantil está a preocupar as organizações de proteção de menores. Uma investigação da Bloomberg revela que estas ferramentas estão a ser exploradas por criminosos para contornar os mecanismos de segurança das principais plataformas tecnológicas.
Ao contrário dos serviços de inteligência artificial disponíveis na Internet, alguns modelos podem funcionar diretamente nos computadores dos utilizadores, sem supervisão externa. Esta característica dificulta a identificação de atividades ilegais e a aplicação de medidas destinadas a impedir a produção de conteúdos abusivos.
Segundo a Internet Watch Foundation, foram identificadas 6.310 imagens de abuso sexual infantil geradas por inteligência artificial nos primeiros seis meses de 2026, ultrapassando as 4.500 registadas durante todo o ano de 2025. Entre os conteúdos em que foi possível identificar o género das vítimas representadas, 98% envolviam raparigas.
O aumento destes materiais representa um desafio para as autoridades, uma vez que as imagens criadas artificialmente podem escapar aos sistemas tradicionais de deteção, frequentemente baseados na identificação de ficheiros já conhecidos. As organizações especializadas alertam para a necessidade de desenvolver novas ferramentas de prevenção e investigação.
