A presença feminina nos cargos de liderança empresarial aumentou na última década, com as empresas a reconhecerem benefícios crescentes da igualdade de género e da diversidade. No entanto, as mulheres continuam a ocupar menos de um terço dos cargos de gestão em todo o mundo, enquanto a implementação de medidas para promover a igualdade tem vindo a diminuir, alerta um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado a 3 de Novembro.
O estudo, intitulado Mulheres nos Negócios e na Gestão: Ampliar o Sucesso, revela que a percentagem de empresas com uma mulher na presidência do conselho de administração passou de 13,1%, em 2013, para 30,9%, em 2025. No mesmo período, a proporção de empresas lideradas por mulheres na função de directora executiva aumentou de 23,4% para 28,2%. Apesar destes progressos, as mulheres representam apenas 30% dos gestores a nível mundial, com retrocessos na sua participação em alguns escalões de gestão intermédia e júnior.
Os benefícios económicos da igualdade de género também são destacados no documento. Quase sete em cada dez empresas inquiridas em 2025 afirmaram que as iniciativas de igualdade e diversidade contribuíram para melhorar os resultados empresariais, mais 11,1 pontos percentuais do que em 2018. Entre as empresas que registaram aumentos dos lucros associados à promoção de mulheres para cargos de gestão, 87,4% indicaram ganhos de pelo menos 5%. As organizações lideradas por mulheres na direcção executiva ou na presidência dos conselhos de administração também apresentaram maior probabilidade de reportar melhores resultados.
Contudo, a existência de políticas não se traduz necessariamente em medidas concretas. Embora 74,8% das empresas afirmassem dispor de políticas de igualdade de género e diversidade em 2025, a percentagem das que efectivamente implementavam iniciativas nesta área caiu de 37,4%, em 2018, para 26,5%, em 2025. O recuo abrangeu medidas como programas de apoio à maternidade, licenças e iniciativas de igualdade salarial. O director-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, defendeu que é necessário transformar os compromissos em progressos concretos e mensuráveis.
O relatório, baseado num inquérito a 11.957 empresas de 99 países, sublinha ainda que as mulheres já superam os homens na frequência do ensino superior, mas continuam sub-representadas em sectores e funções que tradicionalmente abrem caminho à liderança. Entre as recomendações da OIT estão o reforço da formação de mulheres para cargos de responsabilidade, a definição de metas voluntárias, a utilização de indicadores de género e a melhoria do acesso a sectores profissionais onde a presença feminina permanece reduzida. O documento apela também ao combate às desigualdades nas responsabilidades de cuidado e a outras barreiras estruturais que limitam a progressão profissional das mulheres.
