e-Global

ONU alerta para risco de “pandemia digital” e diz que mundo não está preparado

A Organização das Nações Unidas alertou para a possibilidade de uma futura “pandemia digital”, um cenário em que falhas em infraestruturas tecnológicas poderiam desencadear interrupções globais em serviços essenciais. O aviso consta de um novo relatório elaborado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes, pela União Internacional das Telecomunicações e pela Sciences Po Paris.

O documento descreve cenários em que fenómenos como tempestades solares, ondas de calor extremas ou danos em cabos submarinos poderiam provocar falhas em cadeia nos sistemas digitais mundiais. Entre as consequências previstas estão apagões elétricos, colapso de centros de dados, interrupções nos serviços de saúde, falhas nos mercados financeiros e isolamento digital de regiões inteiras durante semanas.

Segundo o relatório, cerca de 89% das interrupções digitais graves não resultam diretamente do incidente inicial, mas sim dos chamados “efeitos em cascata”, em que diferentes sistemas interligados falham sucessivamente. A ONU estima ainda que o número de pessoas afetadas por essas falhas secundárias pode ser até dez vezes superior ao total inicialmente atingido pelo problema original.

Os especialistas destacam que a crescente dependência global das tecnologias digitais aumentou significativamente a vulnerabilidade das sociedades modernas. Atualmente, cerca de 5,5 mil milhões de pessoas utilizam a internet, apoiando-se numa complexa rede de cabos submarinos, satélites, centros de dados e redes elétricas espalhadas pelo planeta. Embora essa interligação traga benefícios económicos e sociais, também cria riscos sistémicos de grande escala.

O relatório conclui que a maioria dos países ainda não possui mecanismos adequados para responder a um colapso digital de grande dimensão. As agências das Nações Unidas defendem o reforço das normas internacionais de segurança digital, o desenvolvimento de sistemas de emergência analógicos e uma maior cooperação entre Estados e operadores tecnológicos. Segundo o documento, a questão já não é “se” ocorrerá uma grande catástrofe digital, mas “quando”.

Exit mobile version