Um relatório da Brookings Institution destaca preocupações sobre o impacto da inteligência artificial (IA) generativa nas capacidades cognitivas dos alunos. Segundo o estudo, a facilidade de acesso a estas ferramentas pode estar a prejudicar competências fundamentais de raciocínio, memória e análise crítica.
O documento explica que, enquanto no passado contornar trabalhos académicos exigia esforço e tempo, hoje basta aceder a uma plataforma de IA, inserir o enunciado e receber a resposta imediata. Este processo, sem esforço cognitivo, tem sido comparado à “fast food da educação”, produzindo resultados rápidos, mas pouco enriquecedores do ponto de vista intelectual.
O estudo alerta para um fenómeno designado de “modo passageiro”, em que os alunos permanecem fisicamente presentes na sala de aula, mas delegam o raciocínio em sistemas externos. Isto provoca uma “amnésia digital”, dificultando a retenção de informação. Áreas como leitura profunda, paciência cognitiva e originalidade na escrita são especialmente afetadas.
Além do impacto académico, a investigação sublinha o surgimento da “intimidade artificial”, com adolescentes a tratar chatbots como companheiros, em vez de simples ferramentas de apoio.
Para mitigar estes efeitos, os autores propõem três pilares de ação:
- Prosperar: integrar a IA de forma complementar ao julgamento humano;
- Preparar: promover literacia digital ética;
- Proteger: implementar salvaguardas contra usos manipulativos e preservar o bem-estar emocional dos jovens.
O objetivo final é garantir que a IA funcione como uma ferramenta de apoio à aprendizagem, sem substituir o pensamento crítico e independente.
