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Açores: Prefeito de Andrelândia, no Brasil, quer resgatar ligações históricas com o Faial

Imagem: Francisco Reginaldo Nogueira, prefeito municipal de Andrelândia. Foto: Agência Incomparáveis

Durante visita a Ponta Delgada, nos Açores, o prefeito de Andrelândia, no estado brasileiro de Minas Gerais, Francisco Reginaldo Nogueira, destacou a importância da ligação histórica e simbólica entre o seu município e o arquipélago português, sublinhando que a visita “integra um processo de aproximação institucional com potencial para gerar novos projetos conjuntos”.

Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, no âmbito da missão empresarial da Casa dos Açores de Minas Gerais realizada entre 20 e 24 de abril nos Açores, o prefeito brasileiro destacou o caráter inédito da deslocação e o seu impacto histórico e relacional.

“Acho que esta missão é algo inédito não só para a Andrelândia, mas para várias regiões”, afirmou Francisco Reginaldo Nogueira, acrescentando que a iniciativa “vai resgatar não só a questão financeira, mas também histórica”.

Este responsável sublinhou a forte ligação identitária entre os dois territórios, recordando a origem açoriana do município mineiro.

Andrelândia tem uma característica incomum a todas as outras cidades, pois ela foi fundada por um açoriano, o nosso querido André da Silveira”, afirmou, explicando que “Andrelândia significa terra de André”.

Francisco realçou também o impacto da visita, liderada por Claudio Motta, presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, na “criação de confiança institucional e económica” entre os dois territórios, sublinhando que o contacto direto reforça a cooperação futura.

Quando você tem a liberdade de estar dentro de uma casa onde você é visto como parte dela, você tem uma vantagem enorme para negociar, porque há confiança”, afirmou, acrescentando que essa proximidade “vai ajudar muito na negociação de outros negócios que podem trazer desenvolvimento não só para os açorianos, como para nós em Andrelândia também”.

Francisco Reginaldo Nogueira salientou ainda a criação de uma representação da Casa dos Açores em Andrelândia como instrumento estruturante desta relação.

Hoje, temos a Casa dos Açores em Andrelândia, que vai fazer essa ligação entre Andrelândia e as ilhas dos Açores, além de abrir uma porta para a Europa”, afirmou.

Prefeito menciona “herança açoriana” preservada em Andrelândia

Na parte final da entrevista, o prefeito de Andrelândia comentou o papel desempenhado por Cláudio Motta no reforço das relações entre Minas Gerais e os Açores, atribuindo-lhe mérito pela “capacidade de mobilização institucional e empresarial”.

“Acho que dou ao Cláudio Motta o título de um desbravador”, afirmou, acrescentando que o dirigente “está representando tudo aquilo que foi feito há 500 anos, que são os açorianos que buscaram sempre desbravar o mundo”.

O prefeito de Andrelândia sublinhou também as semelhanças encontradas nos Açores em relação ao património arquitetónico e cultural do município mineiro.

Os desenhos das casas, a eira e a beira, eu consegui ver isso aqui perfeitamente”, afirmou, além de referir as referências às sacadas em gradil e a outros elementos urbanos que identificou durante a visita.

Segundo ele, essas continuidades históricas explicam o sentimento de proximidade vivido durante a deslocação ao arquipélago.

É por isso que eu volto a repetir, é onde a gente se sente em casa”, disse, acrescentando que, para além da língua portuguesa, existem afinidades visíveis “nas construções e em tudo aqui que tem à sua volta”.

Numa mensagem dirigida aos açorianos em nome de Andrelândia, Francisco Reginaldo Nogueira deixou palavras de reconhecimento pela herança transmitida ao Brasil.

A mensagem que eu deixo para eles é agradecer por tudo aquilo que eles fizeram, aquilo que eles ensinaram, aquilo que eles deixaram e levaram para nós”, salientou o prefeito, que convidou os açorianos a visitarem o município mineiro, pois Andrelândia “preserva tradições herdadas da emigração açoriana”.

Temos muitas coisas em Andrelândia que são características dos açorianos, que talvez eles tenham perdido nos Açores, por isso, convido a todos que participem e vão lá conhecer”, concluiu.

Visita institucional ao Faial marcou momento simbólico da missão

A 23 de abril, o prefeito de Andrelândia, na companhia da primeira Dama Tânia, de Cláudio Motta e do diretor regional das Comunidades, José Andrade, realizou uma visita oficial à ilha do Faial, integrada no programa institucional da missão empresarial, onde foi recebido nos Paços do Concelho da Horta.

O encontro com o presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Ferreira, assumiu particular relevância simbólica por reforçar a ligação histórica entre o município brasileiro e a ilha onde nasceu André da Silveira, fundador de Andrelândia.

Durante essa deslocação, foram discutidas possibilidades de cooperação institucional entre os dois municípios, com especial enfoque na valorização da herança açoriana no Brasil e no reforço de relações culturais e económicas.

O momento ficou ainda marcado pela intenção de aprofundar contactos institucionais e avançar para futuras iniciativas de aproximação, incluindo a eventual geminação entre Andrelândia e a Horta, reforçando assim a dimensão histórica e estratégica desta ligação transatlântica.

Segundo Carlos Ferreira, “a deslocação da comitiva brasileira à ilha do Faial tem um elevado valor simbólico, uma vez que o município de Andrelândia foi fundado pelo faialense André da Silveira, e representa o início do relacionamento institucional entre os dois municípios”.

Ainda nessa oportunidade, o prefeito brasileiro e a primeira dama Tânia entregaram uma réplica da imagem de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, imagem que André da Silveira levou para o Brasil, iniciando então a construção da igreja, fazendo dessa “santa” a padroeira da cidade.

“Até hoje é a nossa igreja matriz, com as características vindas dos Açores. Em Andrelândia comemoramos o dia da padroeira em 15 de agosto”, finalizou Francisco Reginaldo Nogueira.

Ígor Lopes

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