As autoridades de transição da Guiné-Bissau proferiram duras críticas a Angola, ao classificarem como sendo um país que realiza eleições fraudulentas, com processos viciados, e que mantém uma “democracia de fachada”.
Tratam-se de reações às declarações do Presidente angolano, João Lourenço, sobre a crise política guineense, feitas na 39.ª Cimeira da União Africana (UA). Foi o Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau que reagiu através de um comunicado lido pelo porta-voz Fernando Vaz e transmitido pela imprensa local.
João Lourenço condenou as mudanças inconstitucionais de governos no espaço da UA e as autoridades guineenses mencionaram a “postura de determinados chefes de Estado que, sob a capa de uma falsa diplomacia, tentam dar lições de moral e democracia à Guiné-Bissau, enquanto as suas próprias casas padecem de muitos outros males”.
“O Presidente angolano esquece-se, por conveniência, de que eleições fraudulentas e processos viciados constituem, por si só, golpes constitucionais. Em Angola, o mundo assistiu a processos eleitorais em que a transparência foi sacrificada no altar da manutenção do poder”, leu ainda Fernando Vaz.
O que ocorreu em Angola foi descrito como sendo um golpe de Estado “feito de urnas manipuladas — mais pernicioso do que o militar — pois é um golpe sem rosto, que silencia a oposição, amordaça as instituições e mantém uma fachada democrática para consumo externo”.
