Angola está a analisar a possibilidade de emitir títulos de dívida na China e em mercados financeiros islâmicos, com o objectivo de diversificar as fontes de financiamento. Segundo o secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, ainda não há decisões sobre o calendário ou o montante destas operações, nem está prevista uma nova emissão de dívida este ano.
O país captou 4 mil milhões de dólares através de Eurobonds em 2026 e recorreu também ao mercado japonês. Estas operações ajudaram a aliviar a pressão sobre os reembolsos previstos para 2028 e 2029. Após estas iniciativas e a subida do preço médio do petróleo, Angola necessita de mais 200 a 400 milhões de dólares para financiar o restante do ano.
A decisão sobre futuras emissões será tomada depois da conclusão do Orçamento Geral do Estado para 2027. Entre as opções estão os títulos Panda, denominados em moeda chinesa, e os sukuk, instrumentos financeiros islâmicos que seguem regras específicas e não funcionam como obrigações convencionais com pagamento de juros.
De acordo com a Moody’s, Angola terá de reembolsar cerca de 813 milhões de dólares em 2028 e 1,3 mil milhões em 2029. A agência prevê que, até ao final de 2026, a dívida pública represente cerca de 46% do PIB e os encargos com juros correspondam a 23% das receitas.
