Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), liderada por Mika Saito, concluiu a consulta do Artigo IV a Angola referente a 2025, após encontros realizados em Luanda entre 1 e 16 de Dezembro. Segundo as conclusões preliminares, o crescimento económico angolano deverá fixar-se em 1,9% em 2025, uma desaceleração significativa face aos 4,4% registados em 2024, influenciada sobretudo pela menor produção petrolífera, pela descida dos preços do petróleo e por um crescimento moderado do sector não petrolífero.
A inflação, embora ainda elevada, continua a dar sinais de abrandamento, devendo encerrar 2025 em cerca de 17,2%. Para 2026, o FMI antecipa um crescimento ainda contido, em torno de 2,0%, com uma recuperação gradual no médio prazo dependente dos progressos na diversificação económica. As pressões de financiamento no curto prazo permanecem elevadas, devido a um serviço da dívida considerável, o que exige uma gestão orçamental cautelosa.
O Orçamento do Estado para 2026 reflecte, segundo o FMI, a determinação das autoridades angolanas em ajustar a despesa pública e conter riscos emergentes, com o objectivo de preservar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade da dívida, sem descurar a protecção dos grupos mais vulneráveis e a manutenção do crescimento económico. Durante a missão, o FMI e o Governo angolano mantiveram um diálogo considerado produtivo sobre a redução da exposição do país a choques petrolíferos, conciliando as necessidades de desenvolvimento com as expectativas sociais.
O relatório final da consulta do Artigo IV será elaborado com base nestas conclusões preliminares e deverá ser submetido à apreciação do Conselho Executivo do FMI em Fevereiro de 2026.
