O Presidente angolano, João Lourenço, defendeu, a 22 de outubro, em Luanda, o reforço da cooperação política e diplomática entre os países africanos para prevenir, mediar e resolver conflitos relacionados com o acesso e a utilização dos recursos hídricos. O apelo foi feito durante o discurso de abertura da quarta edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, subordinada ao tema «Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos».
Na sua intervenção, o Chefe de Estado considerou que a insegurança e a instabilidade continuam a dificultar a concretização dos objectivos de desenvolvimento definidos na Agenda 2063 da União Africana. Defendeu, por isso, que as tensões associadas à água sejam enfrentadas através de soluções políticas e diplomáticas, apelando aos chefes de Estado, líderes comunitários, jovens e cidadãos africanos para conjugarem vontade política e capacidade técnica em prol de uma gestão justa e sustentável deste recurso.
João Lourenço salientou igualmente a importância de aproximar a segurança hídrica da segurança alimentar, sublinhando que não existe soberania alimentar sem acesso seguro à água. Alertou ainda para os efeitos das alterações climáticas, nomeadamente as secas e as inundações, que afectam as condições de vida das populações e exigem medidas coordenadas aos níveis nacional, regional e continental. Neste contexto, defendeu o reforço dos mecanismos de cooperação entre países que partilham bacias hidrográficas, de modo a evitar disputas e promover uma utilização equitativa dos recursos hídricos.
O Presidente angolano manifestou a expectativa de que a Bienal produza propostas concretas para o Pacto Continental sobre a Governação da Água e contribua para a definição de um roteiro de acções com resultados duradouros para as populações africanas. Destacou também o papel das mulheres e dos jovens na prevenção de conflitos e na promoção de uma cultura de paz, considerando que a participação destes grupos é fundamental para fortalecer a coesão social e a cooperação entre comunidades.
A quarta edição da Bienal de Luanda reúne representantes políticos, diplomáticos, académicos e organizações internacionais para debater a relação entre a água, a paz e o desenvolvimento sustentável. O encontro decorre nos dias 22 e 23 de outubro, com a participação de delegações de vários países, e pretende reforçar o diálogo e a concertação continental sobre a prevenção de conflitos e a gestão sustentável dos recursos hídricos, num contexto em que a pressão climática e as necessidades de desenvolvimento tornam a água um recurso estratégico para África.
