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“Doing Business Angola 2026” discutiu estratégias para “aproximar investimento, cooperação e desenvolvimento” entre Angola, Portugal e o espaço lusófono

Raúl Bragança Neto, administrador Executivo do Conselho de administração da Forbes África Lusófona (esq.), e Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex). Foto: Agência Incomparáveis

As instalações do “EPIC SANA Lisboa Hotel”, nas Amoreiras, recebeu, no passado dia 15 de julho, a quarta edição do “Doing Business Angola”, iniciativa promovida pela Forbes África Lusófona e pelo Jornal Económico, que reuniu responsáveis governamentais angolanos, representantes institucionais, empresários, investidores, académicos e organizações internacionais para analisar o ambiente de negócios em Angola, identificar oportunidades de investimento e aprofundar a cooperação económica entre Angola, Portugal e o espaço lusófono.

Ao longo do dia, os vários painéis abordaram temas como o ambiente de negócios em Angola, os programas de privatização, o financiamento da economia, os desafios do setor petrolífero, a evolução do mercado energético, a exploração mineira e o novo enquadramento geopolítico dos recursos naturais, refletindo a aposta da organização em promover uma análise transversal dos principais motores do crescimento económico angolano.

O programa integrou ainda momentos dedicados ao investimento produtivo, à cooperação empresarial e ao fortalecimento das relações económicas entre Angola, Portugal e a comunidade lusófona.

Na sessão de abertura, o fundador do Grupo Media Nove, N’Gunu Tiny, defendeu que o “Doing Business Angola” deixou de ser apenas um encontro empresarial para assumir uma dimensão estratégica de acompanhamento da relação económica entre Angola e Portugal.

“A partir de hoje, o ‘Doing Business Angola’ deixa de ser um encontro empresarial, passa a ser um momento em que todos os anos avaliamos o estado da nossa relação económica, medimos o caminho percorrido e definimos a agenda para o futuro”, argumentou este responsável, que sublinhou que a iniciativa pretende “funcionar como um espaço permanente de reflexão sobre o posicionamento económico dos dois países, transformando o diálogo em investimento e as oportunidades em parcerias estruturantes”, além de “aproximar Angola dos principais centros internacionais de decisão económica, criando pontes entre instituições, investidores e empresas”.

Ao longo da intervenção, N’Gunu Tiny sustentou que Angola entrou numa nova fase da sua evolução económica, marcada pela estabilidade institucional, pela diversificação da economia e pela valorização estratégica dos recursos naturais num contexto internacional profundamente alterado pela transição energética e pelas novas dinâmicas geopolíticas.

“O verdadeiro desafio já não é apenas extrair mais. É transformar melhor. É industrializar. É refinar. É beneficiar localmente. É desenvolver cadeias de valor complexas. É criar conhecimento, formar engenheiros, promover inovação e gerar emprego qualificado para a juventude angolana”, defendeu.

Na sua perspetiva, o futuro económico do país dependerá menos da quantidade de recursos disponíveis e mais da capacidade para lhes acrescentar valor através da indústria, da ciência, da tecnologia e da formação.

“O verdadeiro ativo estratégico de uma nação nunca é apenas a riqueza dos seus recursos. É a capacidade de transformar esses recursos em prosperidade para gerações futuras”, frisou.

De igual modo, o fundador do Grupo Media Nove considerou que as relações diplomáticas entre Angola e Portugal “evoluíram mais depressa do que as relações económicas”, defendendo uma nova etapa assente em projetos concretos e numa agenda estratégica comum.

Para inverter essa realidade, apresentou a proposta de criação de uma “Agenda Portugal-Angola 2035”, estruturada em torno de cinco prioridades: um Conselho Estratégico Económico permanente, um fórum lusófono de crescimento, um mercado lusófono de capitais, um programa de mobilidade empresarial e o desenvolvimento de cadeias industriais comuns.

“O verdadeiro desafio já não é fazer negócios entre Portugal e Angola. O verdadeiro desafio é usar Portugal e Angola para criar empresas globais, conquistar novos mercados e construir uma das mais relevantes plataformas económicas do nosso espaço atlântico”, vincou.

Funcex destaca Angola como parceiro estratégico no espaço lusófono

Presente no evento, o presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), com sede no Brasil e escritório em Portugal, através da Funcex Europa, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, enquadrou a iniciativa como um “exemplo da evolução da cooperação económica no espaço lusófono”, defendendo que a relação entre Angola e os restantes países da CPLP deve assentar cada vez mais na “execução de projetos concretos e não apenas na discussão de intenções”.

Na sua opinião, Angola ocupa atualmente uma posição estratégica dentro da comunidade lusófona, realçando o papel que cada país pode desempenhar na construção de uma plataforma económica comum, até porque a diversidade económica dos Estados-membros constitui uma vantagem competitiva para toda a comunidade lusófona.

“Angola é muito importante, não só para a Fundação, ela é importante para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, disse, acrescentando que “destaca-se, evidentemente, o Brasil, destaca-se Portugal como global gateway para a Europa”, que assumem especial relevância, sobretudo, Angola, Moçambique e Guiné Equatorial, por meio dos “produtores de petróleo e de mineração”.

Antpnio Carlos da Silveira Pinheiro considerou também que uma das principais mensagens deixadas durante o encontro foi a necessidade de transformar o diálogo institucional em resultados concretos para os investidores e para o desenvolvimento econômico.

“Ficou muito claro, e se repete aquilo que deve acontecer, que é a busca do final, a busca da conclusão, a busca da saída da intenção para a execução, a ação finalista”, afirmou o presidente da Funcex, que destacou ainda a intervenção do ministro angolano dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, considerando particularmente significativa a visão apresentada relativamente ao posicionamento internacional de Angola.

“Impressionou-me bastante a fala do ministro quando ele diz: ‘Não queremos ajuda’. Isso não é soberba, isso é execução, isso é gestão. Ninguém quer ajuda, a gente quer compartilhar para chegar ao êxito e ao final”, concluiu.

A quarta edição do “Doing Business Angola” voltou a afirmar-se como uma das principais plataformas de reflexão econômica dedicadas a Angola fora do continente africano, aproximando decisores políticos, investidores, empresas e instituições num momento em que a cooperação econômica, a industrialização e a valorização dos recursos naturais assumem um papel central na estratégia de desenvolvimento do país.

Ígor Lopes

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