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O Brasil registou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma redução de 8,2% face ao ano anterior e a taxa mais baixa desde 2012, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O estudo aponta, contudo, para um crescimento dos crimes digitais, dos feminicídios e dos casos de violência contra mulheres, crianças e adolescentes.
Apesar da redução dos homicídios a nível nacional, o estudo mostra que os índices mais elevados continuam concentrados nas regiões Norte e Nordeste. O Amapá lidera a classificação, seguido da Bahia e do Ceará.
Nos crimes contra o património, os roubos a transeuntes diminuíram 35,5%, os roubos de veículos recuaram 20,6% e os roubos de carga registaram uma queda de 19,8%. Em sentido contrário, as burlas, designadas no Brasil como estelionatos, atingiram um valor recorde, com 2.261.055 ocorrências registadas em 2025, o equivalente a uma média de cerca de 258 casos por hora.
O delegado André Santos Pereira, especialista em segurança pública, afirma que os dados revelam uma mudança no perfil da criminalidade. Segundo o responsável, o combate à expansão das burlas virtuais exige um maior investimento em inteligência policial, investigação cibernética, articulação entre os organismos de segurança e rastreio de ativos financeiros.
O Anuário registou também um aumento de 4% nos feminicídios, que totalizaram 1.571 vítimas. Os casos de perseguição, conhecidos como stalking, cresceram 30,1%, enquanto os registos de maus-tratos contra crianças e adolescentes aumentaram 14,6%. Os crimes relacionados com a produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil subiram 25,3%.
O estudo contabilizou ainda 84.388 vítimas de violação e violação de pessoa vulnerável em 2025. Deste total, 77% eram pessoas consideradas vulneráveis, sobretudo crianças até aos 13 anos.
Para Pereira, os indicadores reforçam a necessidade de ampliar as estruturas especializadas de investigação. O especialista defende ainda a articulação das medidas de segurança com as redes de saúde e de assistência social, bem como a adoção de tecnologias de monitorização destinadas a prevenir o agravamento da violência doméstica.
Ígor Lopes
