A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil autorizou a Flyttr a produzir e comercializar mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia no país, incluindo uma nova linhagem mais tolerante a temperaturas elevadas. A decisão, anunciada no último dia 22 de julho, amplia a oferta da tecnologia para o controlo da dengue, da zika e da chikungunya.
A autorização contempla as linhagens wMel, já utilizadas no Brasil, e wAlbB, cuja maior resistência ao calor pode ampliar a aplicação do método em municípios de clima mais quente. Segundo a empresa, essa linhagem já foi empregada em programas de saúde pública na Malásia e em Singapura.
A produção será realizada na unidade da Flyttr em Campinas, São Paulo, que, segundo a empresa, tem capacidade para fabricar até 190 milhões de mosquitos por semana. A estrutura também poderá abastecer programas em outros países da América Latina e da Ásia.
A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em diversas espécies de insetos. Introduzida no Aedes aegypti, ela reduz a capacidade de o mosquito transmitir os vírus da dengue, da zika e da chikungunya. Como a bactéria é transmitida às gerações seguintes, o efeito tende a manter-se na população local ao longo do tempo.
A empresa assegura que o sistema aprovado prevê a “distribuição dos mosquitos ainda na fase de ovos, acondicionados em recipientes que são ativados no local de liberação, dispensando o transporte de mosquitos adultos vivos”.
Ígor Lopes
