O ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, capital do país, após ser submetido a uma cirurgia de grande porte para tratar uma obstrução intestinal. A intervenção, que durou cerca de 12 horas, foi realizada no último domingo, 13 de abril. Esta é a sexta operação relacionada às complicações decorrentes do atentado a faca sofrido por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.
Segundo os médicos responsáveis pelo caso, a cirurgia foi “bem-sucedida”, embora “extremamente complexa, devido às múltiplas aderências intestinais e à necessidade de reconstrução da parede abdominal”.
Bolsonaro encontra-se “clinicamente estável, consciente e sem dor. Apesar de já caminhar pelos corredores do hospital, ainda não há previsão de alta da UTI. O pós-operatório é considerado “delicado” pelos médicos, com expetativa de recuperação total entre dois a três meses.
Bolsonaro foi inicialmente hospitalizado em Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, após sentir fortes dores abdominais durante um evento político no Nordeste brasileiro. Posteriormente, foi transferido para Natal e, a pedido da família, levado de avião para Brasília, onde foi operado. Os profissionais de saúde garantem que “o quadro clínico já se arrastava há meses, agravando-se nos últimos dias”.
Este episódio ocorre num momento em que Bolsonaro enfrenta desafios judiciais. Recentemente, tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil por alegada tentativa de golpe de Estado, relacionada aos tumultos de janeiro de 2023 em Brasília, quando apoiantes invadiram edifícios governamentais. Além disso, manifestações em apoio ao ex-presidente e pela anistia dos envolvidos nos protestos têm ocorrido em várias cidades brasileiras, incluindo o Rio de Janeiro e São Paulo.
Apesar de estar inelegível até 2030, Bolsonaro continua a influenciar o cenário político brasileiro. Antes da cirurgia, planeava uma digressão pelo Nordeste para promover o seu partido, o Partido Liberal, e angariar apoio popular.
Ígor Lopes
