O Grupo Banco Mundial vai apoiar o Estado do Paraná, no Brasil, num novo projeto destinado a reforçar a segurança hídrica, aumentar a resiliência da agricultura às alterações climáticas e melhorar o acesso à água e ao saneamento. A iniciativa, apoiada por um empréstimo de 186 milhões de dólares do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), deverá contribuir para gerar ou proteger entre 54 mil e 78 mil empregos nos setores agrícola, da água e em atividades económicas relacionadas.
O Paraná depende fortemente do agronegócio, responsável por quase um terço da produção económica do Estado e pela maioria das suas exportações. Contudo, o aumento da frequência de secas e inundações está a ameaçar as culturas, o abastecimento de água e os rendimentos das comunidades rurais. O projeto pretende reforçar a gestão dos recursos hídricos e preparar o território para fenómenos climáticos extremos, beneficiando cerca de 9.200 agricultores, que terão apoio para proteger mais de 130 mil hectares de explorações agrícolas.
A componente dedicada à água deverá melhorar os serviços de abastecimento e saneamento para dezenas de milhares de pessoas em zonas rurais, enquanto as medidas de segurança hídrica deverão contribuir para serviços de abastecimento mais resistentes para cerca de 2,2 milhões de habitantes nas áreas urbanas. O projeto prevê ainda a elaboração de 42 planos de bacias hidrográficas e a recuperação de 10.690 hectares de Áreas de Preservação Permanente, incluindo zonas de vegetação junto a rios e nascentes.
Na agricultura, a iniciativa vai apoiar práticas de produção mais adaptadas às alterações climáticas e com menores emissões, incluindo plantio direto, culturas de cobertura e utilização de biodigestores. Está prevista a capacitação de 500 profissionais de assistência técnica e extensão rural e a elaboração de Planos Integrados de Produção Agrícola para até 15 mil propriedades. Cerca de 8.645 propriedades de agricultura familiar deverão beneficiar de apoios específicos para a adoção destas práticas.
Segundo o Banco Mundial, o projeto está alinhado com as iniciativas AgriConnect e Water Forward, procurando combinar segurança alimentar, gestão sustentável da água e proteção ambiental. A intervenção deverá colocar mais de 130 mil hectares sob práticas de gestão sustentável e poderá contribuir para o sequestro líquido de cerca de 3,98 milhões de toneladas de CO₂ equivalente ao longo de 20 anos, reforçando a adaptação do Paraná a um clima cada vez mais imprevisível.
