A “Declaração do Rio de Janeiro”, um documento elaborado em colaboração com movimentos sociais de todo o mundo, foi o resultado central do encontro G20 Social, que teve lugar entre os dias 14 e 16 de novembro, no Boulevard Olímpico, na cidade maravilhosa. Este evento, realizado paralelamente às atividades do G20, destacou a urgência de reformar a governança global para enfrentar desafios contemporâneos, como mudanças do clima, desigualdades sociais e crises geopolíticas.
No encerramento deste encontro, a Cúpula do G20 Social entregou ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, um documento que reúne a síntese do que foi consenso entre os participantes de todo o processo participativo. O próximo passo será a entrega destas conclusões aos líderes do G20.
Após três dias de eventos, foram debatidos mais de 300 temas em torno de três principais eixos: inclusão social e combate à fome e pobreza; transição energética e enfrentamento das mudanças climáticas; e reforma das instituições de governança global.
Segundo apurámos, a iniciativa teve o objetivo de “aproximar a sociedade civil dos debates e resoluções da Cúpula do G20”, e contou com eventos abertos ao público, como oficinas e painéis.
Oliver Röpke, presidente do Comité Económico e Social Europeu, destacou a necessidade de combater as desigualdades para moldar um futuro mais justo.
“Estamos numa encruzilhada. A força global enfrenta uma crise em que os sistemas de governança não servem mais ao nosso tempo. Precisamos de reformas estruturais para incluir a sociedade civil e fortalecer a comunidade internacional com crescimento inclusivo e salvaguarda de direitos sociais”, afirmou este responsável, que considera que o G20 Social deve “servir como um exemplo global, mostrando que é possível criar um mundo que ouça as aspirações das populações”.
Por sua vez, Lula reforçou a importância de que as discussões tratadas no G20 Social permaneçam após o fim do evento.
“Esta cerimónia de encerramento marca o começo de uma nova etapa que exigirá um trabalho contínuo durante os 365 dias do ano. Nós vamos seguir construindo juntos o mundo justo e o planeta sustentável. Gritem, protestem, repitam, porque se não as coisas não acontecem”, sublinhou Lula.
A cerimónia de encerramento, que aconteceu na Plenária do Armazém 3, contou com um público de mais de 2.500 pessoas, que presenciou o ministro de Estado da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, Márcio Macêdo, entregar a Declaração de consenso final do G20 Social ao presidente Lula e ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, país que assume a liderança do G20 em 2025. O documento será incorporado às discursões da Reunião de Líderes da Cúpula do G20, nestes dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro.
Os eventos do G20 estão a ser realizados pelo Governo do Brasil, com correalização da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e Serpro. Contam ainda com a parceria do Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal (CEF), Itaipu Binacional, Petrobras, Prefeitura do Rio de Janeiro, Única, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Portugal participa como país convidado pelo Brasil.
Recorde-se que a presidência brasileira no G20 termina no próximo dia 30 de novembro.
Ígor Lopes
