Foto: Ton Molina/Agência Senado
Especialistas ouvidos no dia 4 de agosto pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado defenderam regras específicas para instalar data centers voltados à inteligência artificial no Brasil. Durante audiência sobre o Projeto de Lei 3.018/2024, participantes afirmaram que a expansão dessas estruturas pode elevar o consumo de energia e água, ampliar impactos ambientais e gerar custos aos consumidores, sem que haja retorno proporcional ao país.
Representantes do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) afirmaram que os data centers exigem uma demanda contínua e elevada de eletricidade. Isso pressiona o sistema elétrico e eleva os investimentos, que acabam refletidos nas tarifas. A entidade sugeriu a criação de um encargo específico para grandes consumidores de energia.
Também foram apontados riscos relacionados ao uso intensivo de água. Participantes defenderam mecanismos que priorizem o abastecimento humano em situações de escassez. Além disso, admitiram a adoção de moratórias para novos empreendimentos situados em áreas críticas.
Especialistas destacaram, ainda, que sistemas de refrigeração capazes de reduzir o consumo de água aumentam a demanda por energia. Houve também solicitações para que a legislação diferencie pequenos centros de dados de grandes estruturas voltadas ao processamento de informações de empresas sediadas no exterior.
Representantes da sociedade civil organizada questionaram os benefícios econômicos desses empreendimentos. Eles argumentam que os empregos permanentes são limitados e que parte significativa dos ganhos permanece fora do país. Também citaram impactos como calor, ruído, iluminação intensa e conflitos com comunidades locais. Um líder indígena relatou a falta de consulta prévia durante a implantação de um data center no Complexo do Pecém, no Ceará.
Ígor Lopes
