O Comando Vermelho (CV), uma das maiores organizações criminosas do Brasil, criada ainda em 1979, “avançou em 8,4% em territórios controlados, apesar de as milícias terem reduzido 19,3% nas áreas sob o seu domínio”. É o que aponta o Mapa dos Grupos Armados, levantamento do Instituto Fogo Cruzado e o Geni, grupo de pesquisa da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, publicado recentemente, e que visa “tentar entender a dinâmica da violência armada no Grande Rio.
Este estudo mostra que “as milícias, que em 2021 e 2022 eram o grupo armado com o maior domínio territorial, foram ultrapassadas pelo Comando Vermelho que, em 2023, concentrou 51,9% dos territórios controlados por grupos armados na região metropolitana do Rio de Janeiro”.
Outro dado classificado como relevante é que, em 2023, 18,2% de toda a região metropolitana esteve sob o domínio de algum grupo armado. Em 2008, as áreas dominadas representavam 8,8%, o que, segundo os pesquisadores, “significa que nos últimos 16 anos a área da região metropolitana do Rio de Janeiro sob controlo de grupos armados dobrou”. Nesse período, “nenhum outro grupo cresceu como as milícias”, que “cresceram 204,6%, triplicando o seu domínio territorial”. Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro cresceram respetivamente 89,2% e 79,1%.
“É muito interessante observar a série histórica e não apenas a informação isolada sobre o crescimento do CV em 2023. Porque o conjunto de dados mostra o crescimento consistente das milícias até 2021. Isso muda em 2022, quando o CV volta a crescer por dois anos consecutivos. Enquanto não houver política pública voltada para a desarticulação efetiva das redes económicas que sustentam os grupos armados conviveremos com essa oscilação onde num ano a milícia cresce mais e noutro o CV lidera”, frisou Maria Isabel, diretora de dados e estratégia do Instituto Fogo Cruzado.
“Essa oscilação é também consequência das escolhas do poder público, que privilegiam operações espetaculares de confronto armado que hora afetam mais um grupo, hora afetam mais outro, sem modificar a estrutura. O problema maior por trás disso são os conflitos incessantes que diariamente colocam a vida da população em risco e as dinâmicas de violência e extorsão às quais essa mesma população é submetida quando um grupo armado assume sua localidade”, adicionou Isabel.
Ígor Lopes
