As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia aumentaram 14,8% em valor entre maio e setembro de 2026, atingindo 12,21 mil milhões de dólares. Os dados, divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, assinalam o crescimento das vendas durante os primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que completou seis meses a 1 de novembro.
Durante o mesmo período, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os 27 Estados-membros da União Europeia, um aumento de 8,1% face às 16,42 milhões de toneladas registadas entre maio e setembro de 2025. Entre os sectores com melhor desempenho destacaram-se a soja, as carnes, o mel e as frutas, beneficiando também do início da aplicação de preferências tarifárias para determinados produtos brasileiros.
O complexo da soja manteve-se como o principal segmento das exportações agrícolas brasileiras para o mercado europeu, com vendas de 4,19 mil milhões de dólares, mais 34,2% do que no período homólogo de 2025. As exportações de carnes cresceram 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil para 272 mil toneladas. O mel registou uma subida de 367% em valor, enquanto as vendas de frutas, incluindo nozes e castanhas, aumentaram 15%.
As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais provenientes da União Europeia totalizaram 1,67 mil milhões de dólares nos cinco meses em análise, uma subida de 3,3%. Apesar deste aumento, o saldo comercial do agronegócio brasileiro com o bloco europeu cresceu 17%, passando de 9,01 mil milhões para 10,54 mil milhões de dólares. O acordo prevê reduções tarifárias graduais e condições preferenciais de acesso ao mercado, incluindo quotas para determinados produtos.
Assinado a 17 de janeiro de 2026, o acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia abrange mercados que representam cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto superior a 22 biliões de dólares. A aplicação provisória das disposições comerciais começou a 1 de maio, enquanto a entrada em vigor definitiva depende da conclusão dos procedimentos de aprovação e ratificação. Para consolidar os ganhos, o Brasil terá também de assegurar o cumprimento das exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade impostas pelo mercado europeu.
