Foto: divulgação/Governo do Brasil
O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou, na quinta-feira, 23 de julho, os principais relatórios anuais sobre o Brasil, entre os quais a avaliação realizada ao abrigo do Artigo IV do seu Convénio Constitutivo e o Financial System Stability Assessment (FSSA), concluindo que a economia brasileira deverá crescer 2,4% em 2026, ao mesmo tempo que destaca a resiliência do sistema financeiro, a sustentabilidade da trajetória da dívida pública e a importância da continuação das reformas económicas.
Segundo o FMI, o Brasil foi o segundo país do G20 a registar a maior revisão positiva das perspetivas económicas, passando a apresentar uma previsão de crescimento de 2,4% para 2026.
Para 2027, a estimativa foi igualmente revista em alta, situando-se agora nos 2,2%, enquanto o potencial de crescimento a médio prazo é estimado em 2,5%, valor superior às projeções atualmente consideradas pelo mercado.
O organismo internacional considera que a economia brasileira tem demonstrado uma capacidade significativa de adaptação perante sucessivos choques económicos internacionais.
Entre as grandes economias mundiais, o Brasil é inclusive apontado como um dos poucos países cujo Produto Interno Bruto (PIB) per capita já ultrapassou a trajetória estimada antes da pandemia, refletindo uma recuperação considerada sólida.
De igual modo, os relatórios assinalam progressos registados no plano social, destacando a redução do desemprego, da pobreza e das desigualdades como alguns dos principais resultados alcançados nos últimos anos.
Paralelamente, o FMI refere que a inflação se encontrava em trajetória de convergência para a meta antes do agravamento do conflito no Médio Oriente, antecipando que deverá regressar ao objetivo definido pelas autoridades monetárias a médio prazo.
No domínio das finanças públicas, o Fundo considera que a trajetória de consolidação fiscal apresentada pelo Governo brasileiro no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, submetido em abril, permitirá estabilizar a dívida pública. Apesar desta avaliação positiva, recomenda a adoção de uma estratégia de consolidação orçamental mais ambiciosa, de forma a reforçar a sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazo.
O Financial System Stability Assessment (FSSA), publicado pela primeira vez para o Brasil desde 2018, conclui que o sistema financeiro brasileiro permanece resiliente e apresenta riscos sistémicos considerados limitados. Ainda assim, o relatório recomenda o reforço dos mecanismos de supervisão financeira e da capacidade de gestão de crises, com o objetivo de preservar a estabilidade do setor perante futuros desafios.
O FMI sublinha também a importância da continuidade das reformas estruturais em curso, considerando que a implementação da reforma tributária e a adoção de medidas destinadas a melhorar o ambiente de negócios poderão contribuir para aumentar a produtividade, estimular o investimento e reforçar o potencial de crescimento da economia brasileira.
No plano internacional, o Fundo reconhece os esforços desenvolvidos pelo Brasil para aprofundar a integração comercial com outros mercados, destacando a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
Os relatórios referem ainda que o perfil do comércio externo brasileiro permanece diversificado e resiliente, mencionando igualmente iniciativas governamentais como o Plano de Transformação Ecológica e a estratégia Nova Indústria Brasil.
Os dois relatórios foram aprovados pelo Conselho Executivo do FMI a 20 de julho de 2026. Na avaliação final, os representantes dos países-membros elogiaram os esforços desenvolvidos pelas autoridades brasileiras para melhorar a posição fiscal do país a médio prazo e reiteraram o reconhecimento do compromisso do Brasil com o multilateralismo, bem como do seu papel na promoção de um sistema internacional de comércio aberto, previsível e assente em regras.
Ígor Lopes
