O Governo do Brasil, através do Ministério do Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), anunciou esta segunda-feira o lançamento do sistema Deter Não Floresta (Deter NF), uma ferramenta inovadora de monitorização diária da cobertura do solo na Amazónia. O novo sistema recorre a imagens de satélite e inteligência artificial para detetar alterações mesmo em pequenas áreas, incluindo formações não florestais como cerrados, campos naturais e áreas de transição, que representam cerca de 20% do bioma.
O Deter NF expande a capacidade do sistema tradicional Deter, que se centrava sobretudo no desmatamento de floresta primária. Através de análises diárias, o sistema gera alertas de alterações na cobertura vegetal, seja devido a desmatamento, queimadas, mineração ou outras atividades irregulares, e disponibiliza estes dados publicamente na plataforma TerraBrasilis, promovendo maior transparência e acesso à informação.
A implementação desta ferramenta representa um avanço significativo na fiscalização ambiental. Órgãos como o Ibama e as polícias ambientais estaduais passam a ter dados quase em tempo real sobre todo o território da Amazónia Legal, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz a atividades ilegais. Segundo André Lima, secretário extraordinário de controlo do desmatamento do MMA, o Deter NF “fecha uma lacuna crítica no monitoramento e fortalece imensamente a ação do Estado”.
Os primeiros dados do sistema, referentes a agosto de 2025, indicam reduções nos alertas de supressão de vegetação em diversos biomas — 36,6% na Amazónia florestal, 27,3% no Cerrado e 16,8% no Pantanal —, embora nas áreas não florestais da Amazónia se tenha registado um aumento de 8%. O MMA planeia estender a cobertura diária do sistema a outros biomas brasileiros, como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pampa.