O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu, dia 5 de julho, no Rio de Janeiro, o papel dos governos como facilitadores da atividade empresarial no contexto global. Ao participar da abertura do Fórum Empresarial do BRICS, evento que antecede a Cúpula dos Chefes de Estado do grupo, Lula afirmou que “cabe aos governos abrir portas e aos empresários fazer negócios”, sublinhando o compromisso do bloco com a integração e o desenvolvimento sustentável.
Na presença do vice-presidente e ministro da Indústria do país, Geraldo Alckmin, e de líderes empresariais e governamentais dos 11 países que compõem o grupo, Lula destacou a necessidade de as nações emergentes se posicionarem frente ao ressurgimento do protecionismo global.
“O BRICS segue como fiador de um futuro promissor”, afirmou o presidente brasileiro, defendendo a reforma da arquitetura financeira internacional e o fortalecimento do comércio multilateral.
O encontro reuniu representantes dos países membros — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão — além de nações convidadas e contou com a organização da Confederação Nacional da Indústria (CNI), responsável pela coordenação do Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS) e da Women’s Business Alliance (WBA), no âmbito da presidência brasileira do bloco. Um forte aparato de segurança foi montado.
Entre os temas discutidos estiveram a segurança alimentar, a transição energética, a economia digital e o financiamento sustentável. Lula realçou o potencial do grupo ao mencionar que o BRICS cresceu 4% em 2024, acima da média mundial de 3,3%, e sublinhou que os países do bloco detêm 33% das terras agricultáveis e são responsáveis por 42% da produção agropecuária global.
“Podemos liderar um novo modelo de desenvolvimento baseado em agricultura sustentável, indústria verde e bioeconomia”, disse Lula.
O presidente brasileiro ainda reforçou a importância estratégica do BRICS na cadeia global de minérios essenciais à transição energética. Segundo dados partilhados pelo governo do Brasil, o grupo concentra 84% das reservas de terras raras, 66% do manganês e 63% do grafite do mundo. Lula assegurou que o Brasil está “preparado para liderar esse processo com energia limpa, mão de obra qualificada e marcos regulatórios estáveis”.
Por sua vez, Alckmin sublinhou o papel do Brasil em três agendas globais: segurança alimentar, energética e combate às alterações climáticas.
“Somos protagonistas na exportação de alimentos, temos uma matriz energética com 85% de fontes renováveis e invertemos a curva do desmatamento”, frisou o vice-presidente.
Durante o encontro, Lula também anunciou que participará, em outubro, no encontro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, a convite do primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que esteve presente no evento.
Hoje, o BRICS representa 48% da população mundial, 40% do PIB global e movimentou, em 2024, um total de 210 mil milhões de dólares em comércio com o Brasil. Só no primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras para os países do bloco alcançaram 59 mil milhões de dólares, com um saldo comercial positivo de 10,4 mil milhões.
Sob o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, a presidência brasileira do BRICS em 2025 propõe-se a “impulsionar reformas na governança global, promover o desenvolvimento social e económico e reforçar as alianças estratégicas entre os países emergentes”.
Ígor Lopes
