Os preços da indústria nacional do Brasil voltaram a cair em julho, registando uma variação de -0,30% face a junho, segundo os dados divulgados esta sexta-feira (5) pelo IBGE. Este foi o sexto resultado negativo consecutivo do Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede os valores dos produtos “à porta da fábrica”, sem impostos e fretes. No acumulado do ano, o indicador já soma uma retração de -3,42%, enquanto nos últimos 12 meses ainda apresenta alta de 1,36%.
O desempenho de julho foi fortemente influenciado pela queda nos preços do setor de alimentos (-1,33%), que sozinho retirou 0,33 pontos percentuais do índice geral. Açúcares, café, sumos de laranja e derivados da soja lideraram as reduções, refletindo tanto a maior oferta no mercado interno como o impacto da variação do dólar sobre produtos exportáveis. Já a metalurgia (-1,65%), em queda pelo sétimo mês seguido, também contribuiu de forma relevante para o resultado negativo. Em contrapartida, o setor das indústrias extrativas (+2,42%) exerceu a principal influência positiva, impulsionado pela valorização do minério de ferro no mercado internacional.
Segundo o IBGE, 12 das 24 atividades industriais pesquisadas apresentaram variações negativas de preço em julho, revelando um certo equilíbrio entre quedas e altas. Pela ótica das grandes categorias económicas, os bens intermediários foram os que mais pesaram na redução do índice, com variação de -0,32%, enquanto os bens de capital registaram alta de 0,51% e os bens de consumo recuaram 0,43%.
Apesar da intensidade das quedas ter diminuído em relação a junho (-1,27%) e maio (-1,21%), o gerente do IPP, Murilo Alvim, sublinha que a influência negativa do setor de alimentos continua a ser determinante.
