e-Global

Brasil regista maior redução histórica do trabalho infantil, com 1,5 milhões de menores afectados

O Brasil registou, em 2025, a maior redução anual do trabalho infantil desde o início da série histórica, com uma diminuição de 9,2% face ao ano anterior. Segundo dados divulgados a 16 de outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de crianças e adolescentes entre os cinco e os 17 anos nesta situação caiu para 1,499 milhões, correspondendo a 4% da população dessa faixa etária.

Do total, 1,141 milhões de menores realizavam actividades económicas, enquanto 358 mil se dedicavam exclusivamente à produção para consumo próprio. A incidência do trabalho infantil aumenta com a idade, atingindo 14,5% entre os jovens dos 16 e 17 anos. Nesta faixa etária, apenas 79,6% frequentavam a escola, contra 89,6% do conjunto da população da mesma idade. A pesquisa identificou ainda 525 mil crianças e adolescentes em ocupações consideradas entre as piores formas de trabalho infantil, o valor mais baixo da série.

A região Sudeste concentrava o maior número de menores nesta situação, com 481 mil, seguida do Nordeste, com 408 mil. Em termos proporcionais, porém, a região Norte apresentava a maior incidência, com 6,3%, enquanto o Sudeste registava a menor, com 3,3%. A redução foi mais expressiva entre os rapazes, cujo número diminuiu 10%, para 980 mil, enquanto entre as raparigas a descida foi de 7,5%, para 519 mil.

O IBGE destacou o papel do programa social Bolsa Família na redução do problema. Em 2025, cerca de 13,1 milhões de crianças e adolescentes viviam em agregados familiares beneficiários, dos quais 4,4% estavam em situação de trabalho infantil, num total de 573 mil pessoas. Entre 2024 e 2025, o número de menores nesta condição nos agregados abrangidos pelo programa diminuiu 20,1%, o equivalente a menos 144 mil crianças e adolescentes. Segundo o instituto, esta redução representou mais de 95% da diminuição total registada no país durante o mesmo período.

O estudo analisou também o trabalho doméstico não remunerado e os cuidados prestados a pessoas no próprio agregado familiar ou a familiares de outros domicílios. Em 2025, cerca de 15,9 milhões de crianças e adolescentes, ou 42,1% da população entre os cinco e os 17 anos, realizavam estas tarefas. A proporção era superior entre as raparigas, atingindo 47,9%, face a 36,6% entre os rapazes. O IBGE sublinha que nem todas as actividades realizadas por menores constituem trabalho infantil: de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, esta classificação aplica-se ao trabalho prejudicial à saúde e ao desenvolvimento ou que interfere com a escolarização.

Exit mobile version