A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro anunciou dia 22 de julho o desenvolvimento de um “Plano de Adaptação Climática” destinado a preparar a rede estadual e os municípios para os impactos associados à intensificação do fenómeno “El Niño” no decorrer do segundo semestre deste ano, através de medidas de prevenção, monitorização e resposta coordenada aos eventos climáticos extremos.
A iniciativa está a ser coordenada pelo Centro de Inteligência em Saúde (CIS) e pela área de Vigilância Ambiental, contemplando um conjunto de ações destinadas a reforçar a capacidade de resposta dos serviços de saúde perante fenómenos como ondas de calor, chuvas intensas e outros episódios extremos que poderão afetar a população fluminense.
Entre as primeiras medidas implementadas encontra-se a realização de ações de formação dirigidas aos gestores municipais, promovidas em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As oficinas procuram harmonizar os planos locais de contingência e reforçar os mecanismos de mitigação dos riscos associados às alterações das condições climáticas.
No âmbito desta estratégia foi também desenvolvido o Índice Multidimensional de Excesso de Calor (IMEC), instrumento criado para avaliar o nível de risco de cada município com base em diferentes indicadores meteorológicos, ambientais e da capacidade instalada dos serviços de saúde. A metodologia integra fatores como as temperaturas registadas, a cobertura das unidades de saúde, a infraestrutura assistencial existente, a presença de áreas de maior vulnerabilidade social e a disponibilidade de espaços verdes.
O plano atribui especial atenção às populações consideradas mais suscetíveis aos efeitos das temperaturas extremas, nomeadamente idosos, crianças com menos de cinco anos, grávidas, pessoas com doenças crónicas e trabalhadores sujeitos à exposição prolongada ao sol. Nesse sentido, a Secretaria de Saúde tem reforçado junto dos municípios um conjunto de orientações preventivas, incentivando medidas como a hidratação frequente, a utilização de vestuário adequado e a redução da exposição ao calor durante os períodos de maior intensidade térmica.
Segundo a superintendente de Informação Estratégica em Vigilância em Saúde, Luciane Velasque, as previsões meteorológicas utilizadas pelo sistema são atualizadas diariamente para os cinco dias seguintes, permitindo a emissão antecipada de alertas sempre que sejam identificadas condições de risco para os diferentes municípios.
Como complemento às ações de vigilância, a Secretaria de Estado de Saúde disponibiliza vários painéis públicos de acompanhamento, entre os quais o sistema de Monitorização do Excesso de Calor, dedicado ao acompanhamento das previsões e alertas térmicos; a plataforma de Monitorização de Chuvas Intensas, que reúne informação sobre a precipitação acumulada; o Mapeamento de Suscetibilidade Ambiental, que identifica unidades de saúde localizadas em áreas vulneráveis a inundações, deslizamentos de terras ou focos de calor; e o Painel Monitora, destinado ao acompanhamento dos atendimentos relacionados com sintomas associados às ondas de calor nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
As diferentes plataformas recorrem a informação meteorológica, ambiental, demográfica e assistencial para apoiar o planeamento das ações de vigilância em saúde e reforçar a capacidade de antecipação e resposta perante os efeitos dos eventos climáticos extremos no estado do Rio de Janeiro.
