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Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros causa “caos diplomático” com o Brasil

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou esta semana que o governo irá acionar a “Lei de Reciprocidade” em resposta ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros como o aço e o alumínio em 50%, uma informação avançada nas ótimas horas pelo governo norte-americano. A afirmação de Lula aconteceu durante conferencia de imprensa em Washington, onde o chefe de Estado participa em compromissos diplomáticos.

Segundo Lula, a medida norte-americana representa uma afronta ao comércio justo e coloca em risco os princípios da cooperação internacional. O presidente brasileiro classificou a decisão como “inaceitável” e prometeu reação proporcional.

“Não vamos aceitar calados”, sublinhou Lula, que defendeu o direito do Brasil de proteger a sua indústria nacional.

A “Lei de Reciprocidade” permite ao Brasil adotar medidas similares às praticadas por outros países, impondo tarifas ou restrições equivalentes. Lula reforçou que, apesar do esforço do país para manter boas relações comerciais, o protecionismo norte-americano exige resposta firme.

“O que vale para eles, vale para nós”, disse.

Especialistas indicam que a elevação das tarifas pelos EUA tem impacto direto sobre setores estratégicos da economia brasileira, sobretudo nas exportações de matérias-primas industrializadas.

Federação das Indústrias “condena” aumento de tarifas

Em reação à decisão dos EUA, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) criticou com “veemência” a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros. Em nota assinada pela entidade, a federação considera a ação “arbitrária” e baseada em “interesses político-partidários internos”, em desacordo com os princípios do comércio internacional.

Na opinião da Findes, “o Espírito Santo é uma das economias mais abertas do país e altamente dependente do mercado externo, o que torna o Estado especialmente vulnerável a decisões unilaterais como a adotada pelo governo norte-americano”.

“Medidas desse tipo comprometem a previsibilidade das relações comerciais, criam instabilidade nos mercados e colocam em risco cadeias produtivas inteiras”, sublinha o texto.

Dados do Observatório Findes, centro de inteligência da federação, indicam que os Estados Unidos foram o principal destino das exportações capixabas em 2024, respondendo por 28,6% do total. No mesmo ano, o Espírito Santo exportou US\$ 3,06 mil milhões para os EUA e importou US\$ 2,05 mil milhões, registando um saldo comercial positivo que agora se vê ameaçado.

Entre os setores mais afetados pela nova tarifa estão o aço, as rochas ornamentais, o papel e celulose, o minério e o café — todos com forte representatividade na economia regional. Para a Findes, o encarecimento artificial dos produtos brasileiros nos EUA pode levar à perda de competitividade, queda nas exportações, prejuízos para empresas e cortes de empregos.

A Federação considera ainda “inaceitável” que políticas comerciais sejam utilizadas como instrumento de disputa política interna em outros países.

“Reafirmamos a importância do diálogo diplomático e da construção de soluções que respeitem as regras do comércio global”, declarou a entidade, apelando para uma reação firme por parte do governo brasileiro.

A Findes afirmou ainda que continuará a acompanhar os desdobramentos do caso e a apoiar o setor produtivo, “disponibilizando a sua estrutura técnica para avaliar os impactos e propor alternativas que reduzam os prejuízos à indústria do Espírito Santo”.

A retaliação do governo brasileiro deverá ser oficializada nos próximos dias, após análise técnica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A tensão entre os dois países surge num contexto de crescente debate sobre práticas comerciais internacionais e pode influenciar negociações futuras no âmbito do Mercosul, da Organização Mundial do Comércio (OMC) e das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

Ígor Lopes

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