A Frente de Libertação do Estado de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC) reagiu à anunciada deslocação do presidente angolano João Lourenço a Cabinda e lançou um convite direto ao chefe de Estado.
Em comunicado datado de 31 de agosto de 2025 e assinado pelo porta-voz Jean-Claude Nzita, a Direção Político-Militar da organização independentista refere que tomou “devida nota da próxima deslocação do presidente angolano João Lourenço a Cabinda”.
A FLEC-FAC acrescenta que aproveita “a ocasião, para convidar formalmente o presidente angolano João Lourenço a estender o seu passeio até” às bases da guerrilha em Cabinda.
Segundo o texto, o objetivo é permitir a João Lourenço confirmar no terreno a realidade do conflito. “O presidente angolano João Lourenço poderá assim verificar que os relatórios que lhe chegam a Luanda não passam de ficção. A guerra em Cabinda prossegue, custando a vida de muitos soldados angolanos”, lê-se no documento.
A organização afirma ainda estar disponível para entregar pessoalmente ao presidente alegadas provas que envolvem militares e figuras próximas do poder em actividades ilícitas. “A Direção da FLEC-FAC está igualmente disponível para entregar, em mão própria, ao presidente angolano João Lourenço provas do envolvimento direto de militares e figuras da sua mais íntima confiança no florescente negócio do contrabando de madeiras, minerais e combustíveis em Cabinda.”
O comunicado menciona igualmente uma possível homenagem às vítimas do conflito. “Durante a deslocação às bases da FLEC-FAC o presidente angolano João Lourenço poderá participar numa homenagem a todos os militares cabindeses e angolanos que morreram, até à data de hoje, na guerra em Cabinda e que o seu governo insiste em negar. Assim, o presidente angolano João Lourenço poderá homenagear aqueles que, no terreno, pagaram com a vida a narrativa oficial angolana.”
Por fim, a Direção da FLEC-FAC dirige um apelo à população local a “mobilizar-se à chegada do presidente angolano João Lourenço e o receber da forma que habitualmente o povo de Cabinda reserva a quem o oprime e humilha.”
