A Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) apelou aos Estados Unidos da América para que assumam um papel de mediação ativa na resolução da questão de Cabinda, considerando indispensável uma intervenção internacional “credível, imparcial e baseada no respeito pelo direito internacional”.
Num comunicado assinado por Jean-Claude Nzita, porta-voz da FLEC, o movimento afirma estar a acompanhar “com particular atenção os esforços diplomáticos empreendidos pelos Estados Unidos da América em vários conflitos internacionais”, nomeadamente em processos relacionados com “soluções pacíficas para diferendos territoriais e políticos”.
A organização independentista dirige, nesse contexto, “um apelo solene a Washington” para que considere assumir “um papel de mediador ativo” no conflito que opõe o povo cabindense à República de Angola.
No documento, datado de 8 de junho, a FLEC reafirma a sua posição histórica, segundo a qual Cabinda constitui “um território distinto de Angola”, invocando o Tratado de Simulambuco, assinado em 1885 entre autoridades cabindenses e Portugal.
Para o movimento, a questão de Cabinda representa “um processo de descolonização inacabado” e permanece “uma questão ainda pendente à luz do direito internacional”. A FLEC sustenta que, após mais de cinco décadas de conflito, nenhuma solução política definitiva foi capaz de responder às reivindicações cabindenses.
Segundo o comunicado, a persistência da tensão resulta, em particular, da “ausência de um diálogo político inclusivo” que permita abordar as causas profundas do conflito. O movimento lamenta ainda a falta de “progressos concretos” na construção de um processo de negociação “credível e duradouro”.
A FLEC considera que uma mediação internacional poderá abrir caminho a um novo quadro de diálogo entre as partes. Nesse sentido, apela aos Estados Unidos para que se envolvam na questão de Cabinda com “o mesmo nível de empenho diplomático, consistência e determinação” demonstrado noutros dossiers internacionais.
O comunicado estabelece ainda uma comparação com os esforços diplomáticos relacionados com o Saara Ocidental, defendendo que uma abordagem “proativa, equilibrada e estruturada” por parte de Washington poderá favorecer “uma dinâmica de negociação credível orientada para uma solução pacífica”.
A FLEC dirige igualmente um apelo direto ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitando que conceda “uma atenção pessoal à questão de Cabinda” e se envolva “diretamente nos esforços destinados a promover uma solução pacífica para o conflito”.
“Solicitamos explicitamente a sua implicação pessoal para a pacificação do território cabindense”, refere o comunicado, defendendo que o envolvimento do Presidente norte-americano poderá contribuir para “a abertura de um novo quadro de diálogo”.
No mesmo documento, a FLEC sublinha que uma solução pacífica para Cabinda contribuiria “não só para a estabilidade regional”, mas também para a promoção dos princípios de “justiça, diálogo e do direito dos povos à autodeterminação”.
O movimento reafirma ainda o seu compromisso com uma resolução política do conflito “através do diálogo, da negociação e da mediação internacional”.
“Após mais de meio século de conflito, o povo cabindense aspira à abertura de uma nova era baseada na paz, na justiça e no respeito pelos seus direitos fundamentais”, conclui o comunicado assinado por Jean-Claude Nzita.
