O Ministro da Educação, Amadeu Cruz, presidiu esta segunda-feira, em São Miguel, a cerimónia oficial de abertura do ano letivo 2025/2026. No seu discurso, o governante apresentou um balanço positivo das reformas implementadas ao longo das duas últimas legislaturas, sublinhando que a educação continua a ser um pilar estratégico para o desenvolvimento de Cabo Verde.
“Educar é um ato de patriotismo, uma missão que transcende o presente e projeta-se na construção de uma Nação mais justa, solidária e preparada para os desafios do mundo contemporâneo”, afirmou Amadeu Cruz, dirigindo-se à comunidade educativa presente no evento.
Grande parte da intervenção do ministro foi dedicada aos professores. Cruz destacou a conclusão da reforma do Estatuto da Carreira Docente e a implementação do Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR), que introduz uma nova tabela salarial.
“Estamos convictos de que os professores começarão a receber os novos salários já neste mês de setembro, iniciando-se, em simultâneo, o pagamento dos retroativos devidos desde janeiro de 2025”, garantiu, explicando que os Ministérios da Educação, Finanças e Administração Pública estão a concluir a atualização da base de dados dos docentes para assegurar o processamento dos vencimentos.
O governante frisou que o processo decorreu em estreita colaboração com os sindicatos representativos da classe e defendeu que nunca um governo tinha feito tanto pela valorização salarial e dignificação da carreira docente.
No balanço das políticas educativas, o ministro destacou que a taxa de escolarização no ensino básico ultrapassa os 99% e que o secundário já cobre cerca de 70% dos estudantes. A taxa de abandono escolar foi reduzida para mínimos históricos: entre 0,8% e 1% no básico e entre 1,5% e 2,2% no secundário, contra os 6,1% registados em 2016.
A cobertura no pré-escolar atingiu 86,4%, resultado de um conjunto de medidas de incentivo ao acesso. Também foram aprovados o Regime Jurídico da Inclusão Educativa, a gratuitidade dos manuais escolares e kits básicos, a abolição das propinas no ensino básico e secundário, e o reforço da alimentação e transporte escolar.
No campo das infraestruturas, Cruz sublinhou que mais de 300 escolas foram reabilitadas e que novas parcerias internacionais permitiram ampliar o acesso à internet, modernizar laboratórios e introduzir soluções energéticas sustentáveis, como a instalação de sistemas solares em vários estabelecimentos.
O ministro reconheceu os constrangimentos provocados pelas chuvas recentes, que afetaram escolas em São Vicente e noutras ilhas, mas assegurou que as aulas arrancaram em todo o país. “O povo é resiliente, o povo tem confiança e vamos continuar a educação em São Vicente”, disse.
Referindo-se às manifestações e greves de professores registadas em anos anteriores, Amadeu Cruz afirmou que as críticas e reivindicações foram fundamentais para corrigir injustiças e avançar com soluções. “Eu não levei a mal as manifestações. Pelo contrário, valorizo, porque é a partir da crítica que podemos melhorar a ação educativa e o desenvolvimento do país”, declarou.
Educação como causa nacional
O governante reafirmou que a educação é uma causa nacional e um fator de coesão social. Sublinhou que os esforços do executivo se centram em preparar os jovens para os desafios do futuro, dotando-os de competências em línguas, ciências humanas, exatas, tecnologias digitais e matemática.
“Ao educar, estamos a construir o futuro da Nação”, reforçou Cruz, agradecendo o empenho de professores, alunos, pais, funcionários e parceiros internacionais.
O ministro expressou ainda confiança no sucesso do novo ano escolar e apelou à participação ativa de todos os agentes educativos: “Os alunos estão acima de tudo. Os ministros passam, mas os professores e as crianças permanecem. Juntos, com resiliência e confiança, continuaremos a transformar cada sala de aula num espaço de cidadania, saber e esperança.”
