Emigrantes cabo-verdianas residentes em Portugal partilharam com a imprensa de Cabo Verde os entraves existentes para a integração no referido país, como é o caso das dificuldades na regularização documental, do elevado custo de vida e do acesso à habitação.
De acordo com as mesmas fontes, Dulcelina Rodrigues e Isabel Tavares, citadas pela “Inforpress”, estes problemas condicionam a integração em Portugal. Neste sentido, apelaram a um maior apoio institucional e a melhores condições estruturais.
As declarações foram feitas na sequência do Dia Nacional da Cultura e Comunidades, assinalado anualmente a 18 de outubro em Cabo Verde.
Ainda segundo Dulcelina Rodrigues, natural da cidade da Praia e a residir em Portugal há dois anos, as recentes alterações à Lei de Estrangeiros e as atuais políticas de migração não estão a facilitar a integração dos cidadãos estrangeiros.
Já Isabel Sanches, residente em Portugal há quase três anos, disse que a ausência ou morosidade na obtenção do título de residência tem limitado de forma direta as suas oportunidades profissionais e artísticas, enquanto artesã. É natural de Trás-os-Montes, Tarrafal de Santiago.
“Se uma pessoa consegue pagar a renda, depois tem de conseguir dinheiro para comer e viver. Não está fácil”, concluiu.
Presidente da AMP comenta realidade dos imigrantes
Por sua vez, o presidente da Associação Maense em Portugal (AMP), Carlos Frederico, realçou que o atual enquadramento legal não favorece a integração dos imigrantes em Portugal.
“É uma situação muito triste, porque cria-se uma ilusão nas pessoas, mas quando chegam a Portugal veem que a realidade é outra”, mencionou.
O dirigente alertou para o impacto do custo da habitação na integração dos imigrantes, com algumas famílias a serem obrigadas a partilhar quartos, mesmo quando os seus membros trabalham e descontam para a Segurança Social.
