Na cidade da Praia, a candidata da PTS por Santiago, Jónica Brito, anunciou a sua entrada na corrida eleitoral com um discurso firme e orientado para a mudança. Aos 32 anos, a atual técnica superior no Ministério da Indústria, Comércio e Energia apresenta-se como uma voz de renovação no panorama político cabo-verdiano, defendendo uma abordagem mais próxima das pessoas e centrada em resultados concretos.
“A minha candidatura nasce de uma convicção profunda: servir Cabo Verde e contribuir para a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos”, afirmou a candidata, sublinhando que o país atravessa um momento decisivo em entrevista ao Jornal E-Global. Segundo explicou, este é um tempo que exige “novas abordagens, maior proximidade com as pessoas e, sobretudo, coragem política para transformar desafios em oportunidades”.
Natural de Achada de Santo António e residente em Palmarejo Grande, Jónica Brito construiu o seu percurso a partir de uma realidade social marcada por dificuldades, mas também por valores sólidos. Filha de uma ajudante de serviço geral e de um carpinteiro, destacou que a sua vivência em bairros como Tira Chapéu, Bela Vista e Alto da Glória foi determinante na construção da sua consciência social. Em discurso direto, afirmou: “Foi nesse ambiente que aprendi a importância da responsabilidade, do trabalho e do compromisso com a comunidade”.
Essa experiência, como explicou, permitiu-lhe conhecer de perto os desafios enfrentados por muitas famílias cabo-verdianas. Ao mesmo tempo, acrescentou, foi também nesse contexto que testemunhou “a força, a dignidade e a resiliência do nosso povo”, elementos que hoje sustentam a sua visão política.
No plano académico, Jónica Brito é licenciada em Relações Internacionais e Diplomacia e frequenta atualmente o mestrado em Economia Aplicada na Universidade de Cabo Verde. Este percurso, segundo disse, reflete o seu interesse pelas dinâmicas económicas e pelo desenvolvimento sustentável do país. Já no plano profissional, destacou que o seu trabalho no setor do comércio lhe permitiu acompanhar de perto os desafios da economia nacional. Em discurso indireto, a candidata explicou que essa experiência lhe deu ferramentas para contribuir de forma mais eficaz na formulação de políticas públicas ajustadas à realidade cabo-verdiana.
A escolha pela PTS, afirmou, não foi por acaso. “Acredito firmemente nos princípios da justiça social, da transparência e de um desenvolvimento verdadeiramente inclusivo”, declarou. No seio do partido, onde exerce funções como vice-presidente desde 2021, Jónica Brito disse ter consolidado a sua experiência política e reforçado a sua capacidade de intervenção. Acrescentou ainda que esse percurso lhe deu “a confiança necessária para liderar com responsabilidade e determinação”.
Ao abordar o que a diferencia dos demais candidatos, a candidata foi clara e direta: “O que me distingue é a minha proximidade genuína com as pessoas e a minha capacidade de escutar”. Para além disso, garantiu que pretende transformar discursos em ações concretas, defendendo uma nova forma de fazer política — “mais ética, mais transparente e com compromisso real com as pessoas”.
A sua visão para Cabo Verde assenta na construção de um país mais justo e equilibrado. Nesse sentido, defende o reforço da coesão territorial e a valorização das especificidades de cada ilha. Em discurso direto, afirmou: “Precisamos de um desenvolvimento que chegue a todos, sem exceção, garantindo oportunidades reais para cada cabo-verdiano”.
Para a ilha de Santiago, em particular, Jónica Brito propõe um investimento estruturado em áreas-chave como educação, saúde, infraestruturas e emprego. Destacou ainda o potencial económico da ilha, sobretudo nos setores da agricultura, pecuária e indústria, defendendo que estes devem ser valorizados como motores de desenvolvimento.
Paralelamente, a candidata identificou os principais desafios que o país enfrenta atualmente. Entre eles, destacou o desemprego, o elevado custo de vida e as persistentes desigualdades sociais. Segundo, explicou que estes problemas exigem respostas firmes e orientadas para as pessoas, defendendo um Estado mais próximo, regulador e socialmente responsável.
No domínio económico, Jónica Brito defende políticas que reforcem o tecido empresarial, com especial atenção às pequenas e médias empresas. Segundo afirmou, é fundamental criar condições para o empreendedorismo e investir numa formação profissional alinhada com as exigências do mercado de trabalho. “Só assim conseguiremos criar emprego sustentável e dinamizar a economia local”, reforçou.
A candidata destacou ainda a importância de reduzir as desigualdades sociais, sublinhando que isso passa pelo fortalecimento das políticas públicas e pelo acesso equitativo a serviços essenciais. Em discurso direto, afirmou: “Não podemos falar de desenvolvimento sem garantir saúde, educação e proteção social para todos”.
No que diz respeito à governação, Jónica Brito defende uma postura firme no combate à corrupção e na promoção da transparência. “É fundamental reforçar os mecanismos de fiscalização e garantir uma gestão rigorosa dos recursos públicos”, declarou. Acrescentou ainda que o Parlamento deve assumir um papel mais ativo no controlo da ação governativa, assegurando a prestação de contas e a responsabilização dos titulares de cargos públicos.
Sob o lema “Cabo Verde no coração e compromisso firme com as pessoas”, a candidatura procura transmitir uma mensagem de proximidade e responsabilidade. A candidata explicou que este lema reflete a essência do seu projeto político, centrado nas pessoas, no trabalho e na solidariedade.
Quanto às expectativas eleitorais, Jónica Brito mostrou-se confiante, embora cautelosa. Afirmou ainda que o contacto direto com a população tem sido encorajador, revelando abertura às propostas apresentadas. Ainda assim, destacou que a sua principal motivação vai além dos resultados eleitorais, estando focada no contributo que pode dar ao país.
Na mensagem final, deixou um apelo claro aos eleitores. “Peço a vossa confiança para juntos fazermos diferente e melhor”, afirmou, reforçando a necessidade de aproximar a política das pessoas. Acrescentou ainda que acredita profundamente no potencial de Cabo Verde e na capacidade do seu povo para construir um futuro mais justo e inclusivo.
Concluindo, Jónica Brito entra na corrida eleitoral assumindo-se como uma alternativa que procura romper com práticas tradicionais e responder, de forma concreta, às exigências da sociedade cabo-verdiana. Com um discurso centrado na proximidade, na transparência e na ação, a candidata da PTS posiciona-se como uma representante de uma nova geração política, determinada a transformar desafios em oportunidades e a construir um país mais equilibrado e justo.
