O Grupo Parlamentar do PAICV exigiu hoje que o Governo apresente um balanço concreto da sua atuação, apontando o incumprimento de várias promessas feitas ao longo dos últimos nove anos. Em conferência de imprensa para balanço das jornadas parlamentares, a deputada Carla Lima afirmou que, a menos de um ano do fim do mandato, o tempo das promessas já passou e é momento de prestar contas.
Um dos pontos centrais da sessão parlamentar, que decorre entre 11 e 13 de junho, será o debate com o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, considerado pelo PAICV uma oportunidade para esclarecer o país sobre as políticas do Governo nas áreas das privatizações, grandes infraestruturas, crescimento económico e dívida pública.
“Este é o momento de mostrar o que foi feito e, sobretudo, o que continua por fazer”, afirmou Carla Lima, sublinhando que muitas das metas anunciadas pelo Executivo continuam por alcançar.
O PAICV pretende também interpelar o ministro do Turismo e Transportes, exigindo explicações sobre a situação crítica dos transportes aéreos e marítimos, que continuam a dificultar a mobilidade dos cidadãos entre as ilhas.
“A população enfrenta sérios constrangimentos que afetam o dia a dia, a economia e a coesão territorial”, alertou a parlamentar.
Segurança pública em foco
A insegurança será outro tema forte do debate parlamentar. O partido manifestou preocupação com o aumento dos casos de violência, destacando o falecimento de um adolescente de 14 anos na zona da Achada Santo António, cuja causa – homicídio ou suicídio – ainda está por esclarecer.
“Uma criança vítima de arma de fogo deve alarmar toda a sociedade. Infelizmente, não é um caso isolado”, afirmou Carla Lima, defendendo ações urgentes e eficazes para garantir a segurança da população.
Educação marcada por polémicas
Na área da educação, o PAICV denunciou a fuga da prova nacional de inglês em várias escolas e criticou duramente a inclusão de conteúdo político num exame de História do 12.º ano, que utilizava um excerto de uma declaração partidária do MpD.
“É inadmissível que um exame nacional contenha elementos de propaganda. Isso fere a neutralidade da escola e representa uma tentativa de instrumentalização ideológica dos jovens”, criticou a deputada, exigindo explicações ao Ministério da Educação.
O Parlamento irá ainda analisar propostas legislativas no âmbito do chamado “pacote da justiça”, centrado em reformas para melhorar a eficácia do sistema judicial.
O PAICV reforçou que continuará a cumprir o seu papel de fiscalização, exigindo transparência, responsabilidade e respeito pelos compromissos assumidos com o povo cabo-verdiano.
Anícia Cabral – Correspondente
