Paulo Veiga foi eleito Presidente do Movimento para a Democracia, MpD, ao vencer as eleições internas realizadas nos dias 6 e 13 de setembro, nos 22 círculos eleitorais de Cabo Verde e em dez círculos da diáspora. Os resultados definitivos atribuem-lhe 8.599 votos, contra 7.235 de Herménio Fernandes e 1.277 de Luís Filipe Tavares.
A vitória de Paulo Veiga foi confirmada pelo Gabinete de Apoio ao Processo Eleitoral, GAPE, no mapa final divulgado a 14 de setembro. O novo líder do MpD venceu com uma vantagem de 1.364 votos sobre Herménio Fernandes, segundo os resultados oficiais da eleição interna.
Na sua primeira declaração após a confirmação dos resultados, Paulo Veiga agradeceu aos militantes e apoiantes que contribuíram para a vitória e destacou particularmente o resultado obtido no Fogo, onde a sua candidatura também saiu vencedora. O candidato explicou que os militantes da ilha foram os últimos a votar, depois da tragédia que marcou o país, e afirmou que respeitou a decisão de não antecipar o escrutínio naquele círculo.
“Hoje é, antes de tudo, um dia de gratidão”, declarou Paulo Veiga, que aproveitou a ocasião para agradecer aos voluntários, apoiantes e à sua família pelo apoio prestado durante a campanha.
O novo Presidente eleito do MpD dirigiu igualmente uma palavra de reconhecimento às candidaturas adversárias, considerando que todos os concorrentes contribuíram para o debate interno do partido. Veiga revelou ainda que recebeu um telefonema do seu principal adversário, Herménio Fernandes, a felicitá-lo pelo resultado, gesto que, segundo afirmou, demonstra que é possível iniciar uma nova etapa de união dentro do partido.
Nesse sentido, Paulo Veiga defendeu que, terminada a disputa interna, o MpD deve deixar para trás as divisões provocadas pela campanha e concentrar-se na reconstrução da força política. “Há um partido para reconstruir, um caminho para fazer e espaço para todos os que queiram fazê-lo connosco”, afirmou.
O dirigente eleito sublinhou, por outro lado, que a vitória não deve ser interpretada como uma autorização para excluir os militantes que apoiaram outras candidaturas. Pelo contrário, considerou que o resultado representa uma responsabilidade acrescida para unir as diferentes sensibilidades do partido.
“Esta vitória não nos dá o direito de excluir ninguém. Dá-nos a responsabilidade de juntar todos”, afirmou Paulo Veiga, defendendo um MpD mais forte e capaz de recuperar a confiança dos cabo-verdianos.
Os resultados mostram uma disputa particularmente expressiva entre Paulo Veiga e Herménio Fernandes. A nível nacional, Veiga obteve 4.054 votos, enquanto Fernandes conseguiu 3.481 e Luís Filipe Tavares 561. Na diáspora, Paulo Veiga reforçou significativamente a vantagem, com 4.545 votos, contra 3.754 de Herménio Fernandes e 716 de Luís Filipe Tavares.
Entre os círculos nacionais, Paulo Veiga teve resultados expressivos na Praia, onde conseguiu 684 votos, em São Domingos, com 340, Santa Catarina, com 315, Santa Cruz, com 298, e Porto Novo, com 266. Herménio Fernandes destacou-se sobretudo em São Miguel, com 501 votos, São Vicente, com 413, Santa Cruz, com 405, e Praia, com 422.
Na diáspora, Paulo Veiga obteve uma das suas maiores votações em Portugal, com 132 votos, além de 107 em São Tomé e 95 nos Estados Unidos. Herménio Fernandes, por sua vez, venceu em França, com 63 votos, e nos Países Baixos, com 39.
Após a confirmação da vitória, o ex- Presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, felicitou publicamente Paulo Veiga e reconheceu o resultado das eleições internas. Correia e Silva considerou que o partido tem agora “um novo Presidente, eleito em eleições democráticas disputadas” e agradeceu igualmente a Herménio Fernandes e Luís Filipe Tavares pelo que classificou como “bom combate”.
Ulisses Correia e Silva afirmou que a democracia interna funcionou e que os militantes fizeram as suas escolhas. Correia e Silva desejou, por isso, “os maiores sucessos” a Paulo Veiga e apontou a próxima Convenção Nacional como uma oportunidade para iniciar uma nova etapa do partido.
“Cabo Verde precisa de um MpD forte e de alternativa ao Poder”, escreveu.
Paulo Veiga, por sua vez, reconheceu que a eleição representa apenas o início de um novo ciclo. Segundo o Presidente eleito, os votos recebidos não constituem um prémio, mas uma responsabilidade que terá de ser assumida diariamente.
“Hoje vencemos uma eleição, e uma eleição não é um ponto de chegada, é um ponto de partida”, afirmou.
O novo líder do MpD garantiu ainda que pretende apostar na união, no trabalho e na recuperação da confiança dos cabo-verdianos, defendendo uma atuação política centrada nas famílias, nos trabalhadores, nos jovens, nos idosos, nos empresários e nos profissionais de diferentes áreas.
Apesar da vitória, Paulo Veiga deixou claro que os desafios começam imediatamente. “Esta noite podemos celebrar, mas amanhã voltamos ao trabalho”, declarou, acrescentando que a responsabilidade de corresponder à confiança dos militantes começa no dia seguinte à eleição.
