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Cabo Verde: Ulisses Correia e Silva assume derrota, anuncia demissão da liderança do MpD e promete transição “tranquila e pacífica”

O primeiro-ministro e presidente do Movimento para a Democracia, MpD, Ulisses Correia e Silva, reconheceu na noite eleitoral a derrota do partido nas legislativas e anunciou que irá apresentar a sua demissão da presidência do MpD, após o partido não conseguir atingir o objetivo de continuar a governar Cabo Verde.

“É esperado que o presidente do MPD apresente a sua demissão. Eu não vou colocar o meu lugar à disposição. Eu vou pedir a demissão enquanto presidente do MPD”, declarou Ulisses Correia e Silva, sublinhando que chegou o momento de “passar o testemunho” e permitir que o partido entre “numa nova fase” com novos dirigentes e novos órgãos.

Num discurso marcado pelo reconhecimento da vitória do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), o líder do MpD afirmou que os resultados ficaram aquém das expectativas traçadas pelo partido. “O MPD não conseguiu atingir nem o objetivo de vencer as eleições, nem o objetivo de continuar a governar Cabo Verde e seguir em frente”, admitiu.

Ulisses Correia e Silva revelou ainda ter telefonado ao presidente do PAICV para felicitar o partido vencedor e desejar “sucessos na governação”, defendendo a continuidade da estabilidade democrática no país. Apesar da derrota, garantiu que o MpD assumirá o seu papel parlamentar “como oposição responsável” e continuará a servir Cabo Verde.

O ainda chefe do Governo destacou também a necessidade de assegurar uma transição governativa serena e institucionalmente estável. Segundo afirmou, a passagem de pastas será feita “com normalidade, como deve ser em democracia”, reforçando que Cabo Verde deve continuar a demonstrar maturidade democrática e respeito pelas regras institucionais.

Durante a sua intervenção, Ulisses Correia e Silva chamou igualmente a atenção para a elevada taxa de abstenção registada nestas eleições, que poderá ultrapassar os 50%, considerando que o fenómeno deverá merecer uma análise aprofundada por parte do partido e dos especialistas. O dirigente observou que os dados ainda não permitiam concluir se o PAICV alcançaria uma maioria absoluta ou relativa, uma vez que faltavam algumas mesas do círculo das Américas por apurar.

Mesmo perante a derrota eleitoral, o líder do MpD procurou transmitir uma mensagem de serenidade e pacificação política ao país. “As eleições não são para durar sempre. Há um momento de apuramento dos resultados e depois devemos entrar na vida normal”, afirmou, apelando à redução da crispação política e à união em torno do desenvolvimento nacional.

Num dos momentos mais marcantes do discurso, Ulisses Correia e Silva fez um balanço do seu percurso político, recordando os anos como primeiro-ministro, presidente da Câmara Municipal da Praia, deputado, ministro das Finanças e secretário de Estado. “Já dei um bocado da minha vida à política. Agora há vida para além da política”, declarou.

Encerrando a intervenção num tom descontraído, o ainda primeiro-ministro afirmou que retomará a sua rotina habitual já na manhã seguinte. “Amanhã cedo estarei a fazer o meu footing a partir das 6h30 da manhã”, disse, numa mensagem que procurou transmitir tranquilidade aos cabo-verdianos perante a mudança do cenário político nacional.

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