O número de crianças fora da escola em todo o mundo pode chegar a 278 milhões já no próximo ano, segundo alerta divulgado esta quarta-feira (3) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A projeção resulta de uma queda drástica de 24% na assistência internacional à educação em comparação com 2023, o que equivale a menos 3,2 mil milhões de dólares disponíveis. Apenas três governos doadores são responsáveis por quase 80% dos cortes.
De acordo com a análise, o impacto será particularmente severo na África Ocidental e Central, onde 1,9 milhão de crianças podem ficar sem acesso à escola, e no Médio Oriente e Norte de África, que poderão registar mais 1,4 milhão de menores fora do sistema educativo. Países como a Côte d’Ivoire e o Mali enfrentam riscos elevados, com uma possível queda de matrículas que pode afetar centenas de milhares de alunos. O ensino primário é o mais ameaçado, com previsão de perda de um terço do seu financiamento.
A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, sublinhou que a educação, sobretudo em situações de emergência, “funciona como uma tábua de salvação”, garantindo não apenas aprendizagem, mas também acesso a saúde, nutrição e proteção. Sem apoio adequado, milhares de crianças podem ser empurradas para situações de trabalho infantil, exploração e tráfico humano. Programas essenciais, como a alimentação escolar — que para muitas é a única refeição nutritiva do dia —, correm igualmente o risco de ver os seus recursos reduzidos em mais de 50%.
O Unicef apelou aos países doadores para que defendam e reforcem o financiamento educativo, em especial no ensino infantil e fundamental. A agência recomenda também a simplificação dos mecanismos globais de financiamento e a priorização da educação em contextos humanitários, de modo a evitar uma crise educativa de dimensões históricas.
