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Guiné-Bissau: Docente alerta para colapso iminente no ensino

Sala de aula

Chuvas intensas, pagamentos em atraso e falta de um currículo nacional comprometem o início das aulas nesta segunda-feira

O ano letivo 2026/2027 deveria começar formalmente nesta segunda-feira, 14 de setembro, mas as condições necessárias para um arranque regular das aulas não estão reunidas. O alerta é do docente universitário e especialista em Ciências da Educação M’Bemba Djassi.

Segundo o académico, a conjugação das chuvas intensas, da degradação das infraestruturas escolares e das dívidas do Estado aos professores contratados ameaça transformar o novo ano letivo num longo ciclo de paralisações e perda de aulas.

À margem da cerimónia oficial de abertura do ano escolar, Djassi defendeu que o Governo deve colocar o pagamento dos montantes em atraso no topo das suas prioridades.

“É a única forma de garantir um ano letivo calmo e saudável. Caso contrário, o ano pode ser marcado por ondas de greves no setor educativo guineense”, advertiu.

Para o especialista, os efeitos da instabilidade que afeta o sistema educativo já são visíveis. A perda recorrente de dias de aulas devido às paralisações deixa matérias por concluir, fragiliza a aprendizagem e compromete a qualidade do ensino.

“Isso tem reflexo direto no desenvolvimento do país, porque precisamos de pessoas com capacidade para servir a nação”, afirmou.

Mas as dificuldades não se limitam às condições materiais das escolas ou às reivindicações laborais dos docentes. M’Bemba Djassi chamou igualmente a atenção para um problema estrutural que, na sua perspetiva, continua por resolver: a inexistência de um currículo escolar uniformizado.

Segundo explicou, a falta de harmonização dos conteúdos a nível nacional permite que cada professor lecione matérias diferentes. Esta disparidade acaba por prejudicar os estudantes nos testes de admissão, nos concursos e, mais tarde, no próprio mercado de trabalho.

“É preciso um currículo básico comum a nível nacional no ensino guineense, com adaptações regionais que possam ser implementadas de acordo com a realidade de cada zona”, defendeu.

O docente destacou ainda as diferenças existentes entre os estabelecimentos públicos e privados na aplicação dos conteúdos programáticos. Para Djassi, cabe ao Ministério da Educação acompanhar as escolas e assegurar o cumprimento das matérias que devem ser ensinadas nas salas de aula.

“Por isso, a educação é a chave para o desenvolvimento de um país. O Estado deve dar atenção prioritária ao ensino guineense”, sustentou.

O novo ano letivo começa, assim, sob o peso de problemas antigos. Entre escolas degradadas, dívidas aos professores, ausência de um currículo nacional e a ameaça de novas greves, milhares de alunos poderão voltar a pagar a fatura de um sistema educativo que continua à espera de respostas.

Mamadu Dabo

(foto de ilustração)

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