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Guiné-Bissau Referendo: Frente Única denuncia farsa e apela ao boicote total

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Partidos, sindicatos e movimentos sociais acusam as autoridades de utilizarem o referendo para legitimar o poder instalado após o golpe de Estado.

A Frente Única, que reúne as principais coligações partidárias da oposição, sindicatos e movimentos sociais da Guiné-Bissau, classificou como uma “autêntica farsa” o referendo constitucional marcado para este domingo 30 de agosto e apelou ao boicote total.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira, 27 de agosto, a plataforma acusa o “regime golpista” de utilizar a consulta popular para legitimar o poder instalado depois do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, que interrompeu o processo eleitoral antes da divulgação dos resultados.

O documento é subscrito pela Coligação PAI-Terra Ranka, pela Coligação API-Cabas Garandi, pela União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG-CS) e pelos movimentos Firkidja di Pubis, Frente Popular, Pacto Social e Pó di Terra, além de outras organizações da sociedade civil.

No comunicado, a plataforma denuncia um “contínuo sequestro das instituições da República”, acompanhado pela “supressão das liberdades fundamentais, raptos, espancamentos, assassinatos” e pelo crescimento da criminalidade organizada. Responsabiliza ainda esse quadro político e institucional pela degradação das condições de vida dos guineenses.

O principal alvo da declaração é o referendo destinado a validar uma Constituição já aprovada e publicada no Boletim Oficial por entidades que a Frente considera “ilegítimas e ilegais”. Para as organizações, participar na votação representaria “um tácito reconhecimento político ao grupo orquestrador de golpes militares, constitucionais, palacianos e cerimoniais nos últimos 10 anos na Guiné-Bissau”.

“Na ausência desses pressupostos legais e perante a captura das instituições do Estado, a supressão das liberdades políticas e democráticas, o assalto às sedes dos partidos políticos não alistados no regime golpista, a convocação de uma consulta popular neste contexto não passa de pura demagogia de um regime falido e em total desnorte”, lê-se no documento.

A Frente Única sustenta que a Constituição é a “carta do povo” e que qualquer alteração profunda deve envolver a população e representantes democraticamente legitimados. Por isso, convoca os cidadãos para uma resistência pacífica, permanecendo em casa durante o dia da votação.

“Em defesa dos superiores interesses da Guiné-Bissau e escrupuloso respeito da vontade popular, a Frente Única apela ao heroico povo guineense a boicotar ativa e totalmente o pseudo-referendo agendado para dia 30 de agosto e convida a todos os cidadãos a ficarem em suas casas”, afirma.

A plataforma reafirma a determinação em prosseguir a luta até à “reposição plena da ordem constitucional e democrática” e alerta a comunidade internacional para os riscos que o atual impasse representa para a estabilidade da Guiné-Bissau e da África Ocidental.

Na parte final do comunicado, critica a “inércia da CEDEAO”. A acusação aponta sobretudo a ausência de resultados concretos da mediação regional, uma vez que a organização nomeou o Senegal como facilitador do diálogo e pediu uma transição mais inclusiva.

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