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Guiné-Bissau: Milícias de Sissoco depois de desarmadas ainda guardam armas

GB militares formatura

O Presidente de Transição, Horta Inta-A, confirmou, a 7 de Outubro, o desarmamento dos elementos da força especial instalada na Presidência da República, apontados como “milícias de Umaro Sissoco Embaló”, e exigiu a entrega urgente do armamento que alguns ainda terão em casa.

Num discurso após a cerimónia de atribuição de patentes a vários militares recentemente promovidos, declarou que os referidos efetivos permaneciam na Presidência “sem qualquer controlo” e que não existia “nenhum instrumento jurídico que regulamentasse as suas situações”. Na mesma intervenção, afirmou não poder garantir a segurança do antigo chefe de Estado, Sissoco Embaló, num eventual regresso à Guiné-Bissau.

Segundo explicou, os elementos até agora designados como “milícias” passarão a integrar as unidades competentes das Forças Armadas, da Polícia e da Guarda Nacional, ficando sujeitos às respetivas regras de organização e disciplina.

O Presidente de Transição também dirigiu-se aos apoiantes de Umaro Sissoco Embaló que, segundo afirmou, recorrem a um discurso de força para assegurar que nada acontecerá ao antigo Presidente se este regressar ao país. Inta-A qualificou essas declarações de “matchundadi” e garantiu as ter ouvido pessoalmente. Em resposta, afirmou que nem ele próprio pode assegurar que, num eventual regresso de Sissoco Embaló a Guiné-Bissau, “nada irá acontecer”. “Nem eu, nem ninguém aqui nesta sala”, vincou.

Tal como vários analistas referem, está em curso uma revolução na Presidência da República. Os sinais apontam para a remoção de tudo o que esteja associado a Sissoco Embaló ou para a sua sujeição ao mais minucioso controlo. O desarmamento desta força constitui uma das expressões mais claras dessa mudança. Antes de abordar estas questões, Inta-A abriu a intervenção com um apelo à união e, sobretudo, à promoção da “guineendadi”. Pediu aos presentes que colocassem sempre o país em primeiro lugar, sustentando que só assim será possível alcançar o desenvolvimento esperado.

O chefe de Estado defendeu também a justiça das promoções decididas no início da semana, depois de presidir à reunião do Conselho Superior da Defesa. Garantiu que todas assentam no mérito dos militares abrangidos, sublinhando que nenhum é recém-chegado às Forças Armadas da Guiné-Bissau. Para sustentar essa posição, apontou o percurso de Ioba Embaló, Combatente da Liberdade da Pátria e um dos promovidos, lembrando que já participava na luta quando o país conquistou a independência, cujo 53.º aniversário foi assinalado no mês passado. Referiu igualmente o general Fabien Sanhá, seu colega de recrutamento, considerando merecida a sua promoção. Quanto aos restantes, assegurou que ninguém pode pôr em causa os serviços prestados ao país.

Depois de justificar estas decisões, Inta-A concentrou-se no recente desarmamento do batalhão da Presidência, que esteve sob o controlo de Umaro Sissoco Embaló durante seis anos, sem intervenção do Estado-Maior. A operação foi executada de surpresa, embora persistam algumas bolsas de resistência.

Armas em casa e aviso contra a resistência

Inta-A confirmou igualmente que, após a operação, recebeu informações sobre alegados milicianos que mantêm armamento guardado em casa. “Chegam-me estas informações, mas apelo a todos para entregarem as suas armas. Porque uma arma é uma tentação”, afirmou, advertindo que quem possui uma arma pode um dia disparar e ferir alguém. Insistiu, por isso, na urgência da devolução e deixou um aviso sobre as consequências de uma eventual recusa. “Se formos buscar a arma na casa de alguém, começarão a falar em perseguições, o que não será bom para ninguém”, declarou.

Outra questão abordada foi o destino dos graduados que integravam aquela força e que serão transferidos para outras unidades. Segundo explicou, a atribuição de funções de chefia nas estruturas de acolhimento dependerá da existência de vagas. Na ausência de lugares disponíveis, deverão aguardar, mantendo a obrigação de se apresentarem nos respetivos aquartelamentos.

O discurso de Horta Inta-A deixa, porém, transparecer mal-estar nas Forças Armadas. Ao recordar a presidência de José Mário Vaz, apoiado pelo PAIGC, afirmou que o batalhão da Presidência foi então inteiramente desmantelado e que a constituição da força que lhe sucedeu obedeceu a quotas étnicas. “Vejam as pessoas à nossa frente e que reclamam que devem dirigir este país”, declarou, numa crítica indireta, mas dirigida ao PAIGC.

Sissoco Embaló pede devolução de “bens” e apela à calma

Depois da ordem de Horta Inta-A, Umaro Sissoco Embaló apelou, na sua página oficial, aos antigos elementos da segurança presidencial para que devolvam “integralmente” às autoridades competentes os bens do património presidencial que estejam fora das instalações. Ressalvando que o pedido não constitui uma acusação, mas um apelo à responsabilidade, pediu respeito pelas decisões institucionais e instou os apoiantes a evitarem atos ou palavras que alimentem conflitos. “É tempo de baixar as tensões e elevar o sentido de responsabilidade”, afirmou, defendendo o diálogo e a reconciliação.

(imagem de ilustração)

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