O ex-candidato presidencial Fernando Dias disse que o Tribunal Militar da Guiné-Bissau está a agir sob orientação de “uma mão oculta”. Na mesma comunicação, classificou a situação política do país como um colapso e apontou o silêncio da comunidade internacional, em particular da CEDEAO, como agravante da crise.
A declaração surge na sequência da nova convocação do presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, que teve de comparecer esta sexta-feira, 10 de julho, no Tribunal Militar, e no mesmo dia foi colocado em prisão preventiva. O caso está ligado à alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida a 25 outubro 2025.
“Estamos aqui para chamar a atenção da Comunidade Internacional. Vocês estão a ver tudo o que está a passar na Guiné-Bissau e mantêm-se em silêncio como se tudo estivesse normal, concretamente a CEDEAO. Nós ficamos tristes com a CEDEAO”, afirmou Dias.
O ex-candidato criticou a última missão civil da organização regional. Segundo ele, a delegação de ministros dos Negócios Estrangeiros reuniu-se apenas com uma das partes e foi “induzida ao erro” ao pronunciar-se sobre um eventual referendo, tema que, defende, não foi debatido com todos os partidos políticos interessados.
Para Fernando Dias, a prioridade da CEDEAO deveria ser exigir a libertação das sedes e lideranças partidárias, citando o caso de Domingos Simões Pereira, que se encontra em prisão domiciliar.
“A CEDEAO ainda está a nos arrastar para um caminho incerto, a dizer que não vai encontrar a solução para nós”, disse. O político manifestou ainda dúvidas sobre a eficácia de uma alegada formação de governo e liderança civil para conduzir a transição no país.
Ao apelar a outras organizações internacionais para redobrarem os esforços, Dias alertou que “a Guiné-Bissau está a colapsar a cada dia”. Pediu também ao povo guineense que se mantenha vigilante às “manobras dilatórias” do Tribunal Militar.
O ex-candidato referiu-se ainda às declarações de um cidadão identificado apenas como “Alexandre”, que, segundo ele, acusou Domingos Simões Pereira mas depois teria admitido que a intenção era provocá-lo.
“Chamo a atenção ao Alto Comando Militar de que estão a seguir a vontade de uma pessoa. Estão a colocar em causa o poder judicial. Isto pode prejudicar o país amanhã”, sublinhou.
Fernando Dias defendeu que tentar “caluniar uma pessoa com o objetivo de a eliminar do cenário político” não vai resolver os problemas do país. Citou os casos dos antigos presidentes Nino Vieira e Koumba Yala como exemplos de lideranças afastadas, sem que isso tivesse trazido solução.
“A única solução tem é sentar e dialogar, e respeitar o que está na lei e o regime político em curso na Guiné-Bissau”, apontou.
Mamandin Indjai
