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Guiné-Bissau: DSP acusado por antigos fiéis de transformar o PAIGC em feudo pessoal

A tensão interna no seio do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) voltou a ganhar visibilidade, com dois dirigentes, ambos atualmente integrados no Governo de Iniciativa Presidencial, a acusarem o presidente do partido, Domingos Simões Pereira (DSP), de ter colocado a sua “ambição pessoal acima dos interesses coletivos” da formação histórica fundada por Amílcar Cabral.

A denúncia foi feita publicamente durante uma conferência de imprensa realizada num dos hotéis de Bissau, convocada pelos ministros Carlos Pinto Pereira, dos Negócios Estrangeiros, e José Carlos Esteves, das Obras Públicas, dois antigos quadros próximos de Domingos Simões Pereira que decidiram romper o silêncio num momento particularmente sensível da vida política guineense, a poucas semanas das eleições presidenciais e legislativas de 23 de novembro.

De acordo com os intervenientes, o líder do PAIGC teria “violado os estatutos do partido” e conduzido a estrutura de forma personalista e centralizadora, ignorando as instâncias internas e o princípio de colegialidade.

“Domingos Simões Pereira confunde o partido com a sua própria pessoa. A sua estratégia é guiada pela sede de poder e não pela defesa dos valores que inspiraram o PAIGC desde a luta de libertação nacional”, declarou Carlos Pinto Pereira, visivelmente crítico.

José Carlos Esteves, por seu lado, reforçou a ideia de que o atual presidente do partido afastou-se das bases e tem colocado em risco a unidade interna. “Não podemos continuar reféns de uma liderança que submete as decisões do coletivo a interesses individuais. O PAIGC é maior do que qualquer dirigente”, afirmou.

Estas declarações surgem num contexto de sinais de divisão no interior do PAIGC, que desde a dissolução do Parlamento em 2022 e a nomeação do atual Governo de Iniciativa Presidencial, se tem confrontado com fraturas internas entre dirigentes alinhados com a Presidência Umaro Sissoco Embaló e os que mantêm fidelidade a Domingos Simões Pereira.

Analistas políticos em Bissau consideram que o momento escolhido para as acusações contra Domingos Simões Pereira (DSP) não é casual, mas se insere claramente na dinâmica da atual campanha eleitoral, marcada por fortes rivalidades entre as principais forças políticas. Segundo várias leituras, trata-se de uma nova ofensiva da Plataforma Republicana, coligação que congrega diferentes sensibilidades próximas da Presidência da República, visando fragilizar o presidente do PAIGC e minar a sua credibilidade junto do eleitorado a poucas semanas das eleições de novembro.

Fontes independentes sublinham que esta estratégia tem sido recorrente na política guineense, onde a utilização de dissidências internas como instrumento de desgaste eleitoral tornou-se uma prática habitual. Para os observadores, as recentes declarações dos ministros Carlos Pinto Pereira e José Carlos Esteves reforçam a perceção de uma coordenação política destinada a enfraquecer a coligação PAI – Terra Ranka, liderada por Simões Pereira, num contexto em que a disputa pelo poder se tornou cada vez mais personalista e polarizada.

Fontes partidárias referem que a direção do PAIGC deverá reagir oficialmente nas próximas horas.

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