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Guiné-Bissau: Crise guineense gera resistência cívica interna e mobilização em Portugal

Manifestações Africa

O Movimento Revolucionário Pó de Terra (MRPT) e um coletivo de cidadãos guineenses residentes em Portugal intensificam a contestação política em torno da crise institucional na Guiné-Bissau, denunciando o que consideram ser uma violação da vontade popular e exigindo o regresso à legalidade constitucional.

Em comunicado tornado público esta quarta-feira, 17 de dezembro, o MRPT manifestou uma posição firme contra decisões recentes da CEDEAO, que, segundo o movimento, contrariam a escolha soberana do povo guineense. A organização cívica sustenta que “a soberania reside exclusivamente no povo e não pode ser sobreposta por instituições regionais ou interesses externos”, recusando acompanhar quaisquer resoluções que contrariem essa premissa democrática.

No mesmo documento, o movimento apela à unidade nacional e anuncia a preparação de ações de consciencialização, resistência cívica e desobediência civil organizada, que define como instrumentos legítimos para a defesa da dignidade coletiva e do direito dos guineenses a decidirem o seu próprio destino político. “Quem manda é o povo, não a CEDEAO”, reforça o MRPT, sublinhando o seu compromisso com a verdade histórica e com os princípios democráticos.

Esta mobilização interna encontra eco na diáspora. Em Portugal, um grupo de cidadãos guineenses lançou as “Jornadas de Luta: Democracia, Direitos Humanos e Futuro da Guiné-Bissau”, um ciclo de conferências, debates públicos e momentos culturais destinado a mobilizar a opinião pública nacional e internacional para a exigência do restabelecimento da ordem constitucional no país.

A iniciativa surge como resposta direta à grave situação política e institucional vivida na Guiné-Bissau, após um golpe de Estado que interrompeu um processo eleitoral considerado legítimo pelos organizadores. Estes denunciam detenções ilegais de dirigentes políticos, a destruição de materiais eleitorais e a imposição de um chamado “período de transição” sob comando militar, factos que, afirmam, aprofundam a instabilidade e comprometem o futuro democrático do país.

De acordo com informação na posse da e-Global, o primeiro encontro das Jornadas está marcado para 21 de dezembro de 2025, em Lisboa, e contará com a participação de personalidades como Ana Gomes, Francisco George e Tcherno Amadu Baldé. O programa inclui igualmente intervenções musicais e de poesia de artistas guineenses reconhecidos, entre os quais Manecas Costa, Karyna Gomes e Tony Tcheka.

Segundo os promotores, as Jornadas pretendem criar um espaço plural de reflexão democrática, apresentar propostas concretas para a restauração da normalidade institucional e interpelar as organizações regionais e multilaterais sobre as suas responsabilidades na defesa da democracia e dos direitos humanos. Estão ainda previstas mais quatro sessões ao longo de dezembro e janeiro, com a presença de académicos, jornalistas e representantes da sociedade civil, num esforço articulado entre mobilização interna e pressão internacional.

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