O Fundo Monetário Internacional (FMI) e as autoridades da Guiné-Bissau alcançaram um acordo de nível técnico sobre as políticas económicas que poderão sustentar a 12.ª e última avaliação do programa de financiamento ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado (ECF). A aprovação pelo Conselho de Administração da instituição permitirá ao país receber cerca de 1,6 milhões de dólares, elevando o total dos desembolsos ao abrigo do programa para aproximadamente 53,9 milhões de dólares.
O acordo foi anunciado após uma missão do FMI, liderada por Niko Hobdari, que esteve em Bissau entre 21 de Outubro e 3 de Novembro. Segundo o responsável, a economia guineense deverá crescer 4,8% em 2026, impulsionada sobretudo pelo bom desempenho da campanha de exportação de castanha-de-caju, cujos volumes ultrapassaram em quase 12% os registados no ano anterior. O reforço dos controlos aduaneiros contribuiu para este resultado, apoiando os rendimentos dos agricultores e a actividade económica.
A inflação manteve-se negativa, em -0,7% em termos homólogos no final de Setembro, reflectindo a descida dos preços dos produtos alimentares e o controlo dos preços dos combustíveis no mercado interno. O défice orçamental deverá fixar-se em 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, enquanto a dívida pública deverá representar cerca de 74% do PIB no final do ano, permanecendo praticamente inalterada face a 2025. O FMI considera, por isso, essencial manter a disciplina orçamental e uma política prudente de endividamento.
A instituição destacou os progressos alcançados desde o início do programa, em 2023, nomeadamente a redução do défice orçamental de 8,2% do PIB para os actuais 4,2%, o reforço da mobilização das receitas internas e a melhoria dos sistemas de gestão das finanças públicas e da dívida. O projecto de orçamento para 2027 procura conciliar a manutenção da disciplina financeira com a criação de espaço para investimentos destinados a apoiar o crescimento e o desenvolvimento do país.
Apesar dos resultados, o FMI alertou para riscos que continuam a ensombrar as perspectivas económicas, incluindo condições meteorológicas adversas, termos de troca desfavoráveis, instabilidade política e agravamento das condições de financiamento. Após a conclusão do programa, a instituição considera prioritário prosseguir as reformas estruturais, reforçar o cumprimento fiscal, melhorar a execução dos investimentos públicos, reduzir as vulnerabilidades do sector financeiro e desenvolver mecanismos de protecção e assistência social para combater a pobreza.
