e-Global

Guiné-Bissau: PAIGC celebra 70 anos sob tensão interna e disputa política

GB PAIGC

O Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações dos 70 anos do PAIGC, António Patrocínio Barbosa da Silva, deu esta terça-feira (05.05) o arranque oficial das celebrações do septuagésimo aniversário do partido, fundado por Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Elisée Turpin a 19 de setembro de 1956.

“Hoje, mais uma vez Bissau para, para ouvir a voz da liberdade”, afirmou na abertura do seu discurso, sublinhando que a efeméride deve ir além do simbolismo. “Os 70 anos não podem ser apenas uma celebração, mas uma reafirmação da força real do partido”, acrescentou.

O dirigente traçou um paralelismo entre a luta anticolonial e os desafios atuais, apontando problemas estruturais persistentes. Referiu “a pobreza que envergonha a independência, o abandono escolar que compromete o futuro de crianças e jovens, e a divisão que fragiliza a nação que Amílcar Cabral ajudou a unir” como as novas frentes de combate.

“A arma de 2026 é o trabalho, a unidade e o voto”, afirmou, definindo a linha estratégica do partido. Dirigindo-se à juventude, deixou o apelo de que “a missão não é pegar em armas contra irmãos da mesma pátria, mas sim conduzir o destino do país com educação, trabalho e integridade”.

António Patrocínio destacou ainda que o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, atualmente em prisão domiciliária, definiu três eixos orientadores para as comemorações: honrar os que tombaram e apoiar os que permanecem; promover a unidade interna e nacional; e concretizar os objetivos históricos com mais ação e menos retórica.

“O PAIGC foi o instrumento central da conquista da independência nacional”, sublinhou, apelando à mobilização de todos os setores da sociedade para celebrar a liberdade.

Disputa interna marca momento político do partido

O início das comemorações coincide com um momento de tensão interna. No mesmo dia, o Grupo de Reflexão, corrente crítica à atual direção, anunciou a indicação de Carlos Nelson Sano para liderar um congresso agendado para 9 e 10 de maio, convocado à margem das estruturas formais do partido.

As celebrações decorrem, assim, entre a evocação histórica dos “libertadores” e a necessidade de redefinição estratégica num contexto político marcado por divisões e incertezas.

Mamandin Indjai

Exit mobile version