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Moçambique: Agente de carteira móvel denuncia tortura por membros das FDS de agressão em Mocímboa da Praia

Um agente de carteira móvel, cuja identidade é omitida por questões de segurança, afirma ter sido vítima de uma violenta agressão perpetrada por homens que identifica como membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS), na noite de 27 de abril, no bairro Nacala, em Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado.

Ainda abalado, o homem descreve momentos que diz nunca esquecer “Quando chegaram, perguntaram, é você mesmo o agente? Depois me pegaram, começaram a bater-me. Colocaram uma corda no meu pescoço e trapos na minha boca. Pensei que já tinha morrido”, relatou.

Segundo o seu testemunho, cerca de seis homens invadiram a sua residência por volta das 21 horas daquele dia. Alguns aproximaram-se sob o pretexto de querer os serviços quando, crianças assistiam a um filme em sua casa, enquanto outros aguardavam do lado de fora. Quando tentou sair, foi capturado.

A vítima afirma que foi espancada na cara e em várias partes do corpo, teve os braços amarrados para trás e foi levada para um quartel localizado na zona de Anga, a sul da vila de Mocímboa da Praia. Durante o período em que permaneceu sob custódia, diz ter sido submetida a maus-tratos e arrancado todo dinheiro no cartão após ser obrigado a transferir os valores.

“Eles vieram matar civis, não terroristas. Depois de tudo, levaram-me de mota e abandonaram-me por volta das 23 horas. Disseram-me que, se alguém perguntasse, eu deveria dizer que tinham sido bandidos”, contou.

Dois dias depois do incidente, a vítima deixou Mocímboa da Praia por receio da sua segurança, passando por Macomia antes de procurar assistência médica no Hospital de Montepuez.

O agente afirma que o seu caso não é isolado. Segundo ele, vários agentes de carteira móvel terão desaparecido em Macomia e Mocímboa da praia em circunstâncias semelhantes. Na sua opinião, alguns crimes atribuídos aos insurgentes poderão, na verdade, envolver elementos das forças de seguranças.

“Se fossem os Al-Shabaab, como conheceriam exactamente onde cada pessoa vive? Há zonas onde eles convivem com a população. Eu nunca vou esquecer o que fizeram comigo”, declarou.

A denúncia surge num contexto em que análises de incidentes recentes em Macomia apontam para suspeitas de envolvimento de agentes das FDS em alguns casos de violência. Aliás, esta é a alegação dos resistentes ouvidos pelo E-global.

Entretanto, as autoridades locais no caso, órgãos como o SERNIC e o SISE têm sustentado, em diversas ocasiões, a narrativa de que determinados ataques e assaltos são praticados por terroristas que estariam a cobrar alegadas dívidas de comerciantes.

Contudo, persistem questionamentos sobre essa versão, uma vez que, segundo os residentes locais, não têm sido apresentados elementos públicos que demonstrem quando, onde ou em que circunstâncias esses supostos pagamentos aos grupos insurgentes teriam ocorrido.

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