Amnistia Internacional considera “extremamente preocupante” o assassinato de Pedro João Chaúque, membro do partido da oposição Anamola;
É o segundo assassinato de membros daquele partido oposicionista em duas semanas;
Autoridades devem garantir investigações imediatas, exaustivas, independentes, imparciais, transparentes e eficazes.
A Amnistia Internacional considera “extremamente preocupante” o assassinato de Pedro João Chaúque, membro do partido da oposição Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), ocorrido na província de Gaza, no sudoeste de Moçambique, a 16 de maio.
O diretor regional da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Tigere Chagutah, afirmou que “o assassinato de Pedro João Chaúque por homens armados desconhecidos é extremamente preocupante. Ocorre após outro membro do mesmo partido da oposição ter sido morto, na província de Manica, há apenas duas semanas, e insere-se num padrão perturbador de assassinatos ou desaparecimentos forçados de membros de partidos da oposição no passado recente”.
Tigere Chagutah defendeu ainda que “as autoridades moçambicanas devem garantir investigações imediatas, exaustivas, independentes, imparciais, transparentes e eficazes dos assassinatos de Pedro João Chaúque e de outras figuras da oposição. Todos os suspeitos devem ser levados à justiça em julgamentos justos. As autoridades devem garantir e proporcionar acesso à justiça e reparações eficazes às vítimas e às suas famílias”.
Para o responsável, “as autoridades devem também garantir que todas as pessoas no país possam exercer livremente o seu direito à liberdade de expressão, incluindo críticos e vozes independentes. Ninguém deve ser sujeito a violência, intimidação, assédio ou quaisquer outras represálias por expressar dissidência ou contestar as políticas governamentais”.
Contexto
Na noite de 16 de maio, vários homens armados entraram na casa de Pedro João Chaúque, que foi morto no local. Posteriormente, apoderaram-se do seu veículo e de outros bens e fugiram. Moçambique tem assistido a uma onda de assassinatos e desaparecimentos forçados de membros de partidos da oposição nos últimos meses. Anselmo Vicente, coordenador do Anamola, foi morto a 9 de maio por homens armados, na cidade de Chimoio, província de Manica.
Arlindo Chissale, jornalista e apoiante de Venâncio Mondlane, líder do partido Anamola e antigo candidato presidencial que disputou as eleições de outubro de 2024, não é visto desde 7 de janeiro de 2025. Testemunhas que falaram com a família de Arlindo Chissale revelaram que, a 7 de janeiro, viram-no a ser retirado de um miniautocarro público e espancado antes de ser levado, alegadamente por membros das forças de defesa e segurança.
Amnistia Internacional
