O Sheik Aminuddin Muhamad, Presidente do Conselho Islâmico de Moçambique (CISLAMO), em entrevista à Rádio Moçambique, nesta quarta-feira, 10 de janeiro, afirmou que os casamentos homossexuais representam o suicídio coletivo para a humanidade e considera que as uniões entre pessoas do mesmo sexo são promotores da extinção da humanidade. O Sheik, baseando-se em textos sagrados, referiu que as pessoas do mesmo sexo que enveredam por esse caminho devem ser mortas. “Olhando para os textos sagrados como o Alcorão e a Bíblia, não há espaço para este tipo de casamentos entres seres do mesmo sexo. O homem que dorme com homem deve ser morto'”, disse Sheik Aminuddin Muhamad, citando uma passagem bíblica (Levítico 20:13). Referindo-se ao Código Civil Português, “aplicado na nossa terra”, o Presidente do CISLAMO frisou que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo é encarado como sendo “juridicamente inexistente.”
Aminuddin questionou o papel a ser desempenhado pelos parceiros. Para o religioso, um dos problemas dos casamentos homossexuais é saber “quem vai fazer o papel de homem ou de mulher.” “O objetivo do casamento é a procriação. Esse tipo de casamento não traz procriação e é um suicídio coletivo para a raça humana. Se começarmos a casar entre homens ou mulheres, daqui a 50 anos a raça humana vai se extinguir-se. Portanto, é um suicídio coletivo que vamos permitir”, frisando que, “no Islão, não há espaço para esse tipo de casamentos”.
Este posicionamento do CISLAMO surge após a Conferência Episcopal de Moçambique anunciar que não vai conceder a bênção a casamentos homossexuais e outras uniões irregulares, contrariando a indicação do Papa Francisco.
Na mesma entrevista, o Sheik Aminuddin Muhammad defende que é vontade de Deus que todo o homem seja polígamo e que esta prática está regulada na fé islâmica. “Quem estuda a psicologia do homem chega a conclusão de que todo o macho, não é só humano, é polígamo, no mundo. E porque isto vem da parte de Deus, o Islão, reconhecendo este instinto, deixou uma abertura para, no caso de algum homem que não estiver satisfeito com uma única mulher, poder contrair o matrimónio legalmente e licitamente dentro das leis e das definições de igualdade na base do matrimónio”, explicou o Sheik Aminuddin Muhammad.
Na longa entrevista, o Sheik esclareceu que ao homem, à luz do Islão, apenas lhe é permitido contrair matrimónio, em simultâneo e no máximo, com quatro mulheres. Mas, para tal, precisa de poder prover as mesmas condições para cada uma, além de não carecer da aprovação da primeira esposa. “Nenhuma mulher vai autorizar. A autorização da primeira mulher não é necessária. Deus já autorizou, dentro de certas balizas e dos limites. Se a pessoa (o homem) está enquadrada dentro desses limites, pode praticar a poligamia, desde que tenha condições físicas, monetárias e emocionais, caso contrário é proibido”, clarificou.
Uma das vantagens das vantagens da poligamia, no entendimento de Aminuddin Muhamad, é a diminuição do número de mulheres solteiras, em maioria no país.
O Sheik prosseguiu e declarou que o instinto natural de poligamia “existe dentro do ser humano, tanto homem como mulher.” Todavia, relativamente às mulheres, o presidente do CISLAMO contou que o Islão não permite a prática da poliandria, porque, emocionalmente, uma mulher não poderá amar, na mesma intensidade, mais do que um homem. Por outro lado, explicou que, para evitar conflitos de paternidade, em não se saber a quem pertence um filho gerado por uma mulher com vários maridos, o Islão optou por não permitir a poliandria.
Aurélio Sambo – Correspondente
