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Moçambique: Censo Agro Pecuário aponta que o país está abaixo de 20% de exploração terra arável que possui

O Governo moçambicano revelou que o país está a cultivar apenas 17,8% dos 36 milhões de hectares de terra arável disponíveis, situação que contradiz com o seu principio constitucional segundo o qual a agricultura é base da economia.

O número consta nos resultados definitivos do III Censo Agro-Pecuário (CAP 2023/24), apresentados esta quinta-feira (21), em Maputo, num evento no qual o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, afirmou que os dados demonstram o enorme potencial agrícola ainda por explorar no país.

Falando durante o seminário de divulgação dos resultados do censo, Valá destacou que Moçambique possui actualmente cerca de 5,2 milhões de explorações agrícolas, sendo 38% delas lideradas por mulheres, o que reforça o papel fundamental da mulher na produção alimentar e no desenvolvimento da economia rural.

O III Censo Agro Pecuário apresenta resultados que indicam igualmente que 99,9% das explorações agrícolas pertencem ao sector familiar e às pequenas e médias explorações.

Segundo o ministro, esta realidade evidencia a necessidade de reforçar políticas públicas voltadas para o aumento da produtividade, acesso ao financiamento, assistência técnica e melhores condições de comercialização para os produtores rurais.

O censo aponta ainda que mais de 84% das explorações agrícolas possuem menos de dois hectares, situação que continua a limitar a mecanização, irrigação e integração dos agricultores nas cadeias de valor.

Sobre o sector pecuário, Salimo Valá revelou que Moçambique conta com aproximadamente 2,4 milhões de bovinos, 4,2 milhões de caprinos e cerca de 16 milhões de galinhas de raça local, considerados recursos essenciais para a segurança alimentar das famílias.

Salim Valá, promete que os dados do CAP 2023/24 serão fundamentais para orientar políticas públicas, investimentos e estratégias de desenvolvimento agrário no país.

Refira-se que a recolha de dados decorreu entre Dezembro de 2024 e Junho de 2025, abrangendo quase todo o território nacional, com excepção de seis distritos da província de Cabo Delgado devido a questões de segurança.

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