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Moçambique: Chapo exige desmantelamento das redes de tráfico de droga

O Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, exigiu, esta quarta-feira, 14 de Outubro, o reforço da prevenção e do combate ao tráfico de droga, defendendo o desmantelamento das redes criminosas, o controlo das fronteiras e a investigação dos recursos financeiros provenientes de actividades ilícitas. O chefe de Estado falava em Maputo, na abertura da Conferência Nacional sobre Prevenção e Combate à Droga, onde alertou para a crescente complexidade do narcotráfico no país.

Durante a intervenção, Chapo afirmou que as organizações criminosas recorrem cada vez mais às novas tecnologias, a plataformas encriptadas e a sistemas de pagamento digitais para desenvolver e ocultar as suas operações. O Presidente revelou ainda que as autoridades têm registado a entrada de quantidades significativas de droga em Moçambique e identificado unidades de produção de substâncias psicoactivas, incluindo anfetamina, metanfetamina e fentanil. A circulação de cocaína e heroína e a utilização de zonas remotas para dificultar a detecção das actividades ilícitas estão igualmente entre as preocupações das autoridades.

O chefe de Estado defendeu o reforço da capacidade de intervenção do Ministério Público, dos tribunais, das Forças de Defesa e Segurança e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Entre as medidas propostas estão a modernização dos equipamentos de investigação, o reforço dos laboratórios de análise de novas substâncias e a instalação de meios modernos de vigilância e fiscalização nas fronteiras, portos, aeroportos e espaços marítimos. Chapo exigiu também o encerramento dos locais de venda e consumo de droga e a responsabilização criminal de todos os envolvidos.

A protecção das crianças e dos jovens foi outra das prioridades destacadas pelo Presidente, que manifestou preocupação com a aproximação das redes de tráfico aos estabelecimentos de ensino. «A nossa infância não está à venda», afirmou, defendendo a criação e revitalização de Núcleos Anti-Droga nas escolas públicas e privadas, com base na experiência desenvolvida na cidade de Maputo.

Chapo apelou ainda a uma mudança de estratégia, passando da simples apreensão de estupefacientes para a investigação das estruturas financeiras e patrimoniais das organizações criminosas, incluindo o rastreio de fluxos financeiros e a recuperação de activos ilícitos. O Presidente sublinhou que o combate ao narcotráfico exige coordenação entre as instituições nacionais e cooperação internacional, alertando que o crime organizado e o branqueamento de capitais constituem obstáculos à segurança, à protecção da juventude e à independência económica de Moçambique.

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